Posts Tagged ‘Michel Odent’

Nove meses para salvar o mundo

26/06/2012

Por  Carla Machado

O principal tema de toda a conferência Rio+20 é como deter a poluição e criar um ambiente saudável para todos e para a Terra. A resposta para essa pergunta é simples: parar de gerar os poluidores. O útero é a primeira casa que os seres humanos habitam. Sabe-se que todo início, não só tem força, como é determinante. O “imprint” poderoso do início da vida é um fractal da trajetória da existência de um indivíduo. O que é vivido desde os primeiros instantes da vida física no planeta, e isto inclui a concepção, é como um rastro de pegadas no cimento fresco, difícil de apagar.

Na 6ª feira, dia 15/6, de manhã, na sala T4 do RioCentro, foi realizado um painel com presenças notáveis na mesa e na audiência, que debateram e demonstraram quão importante é este tema para o futuro.

O Dr. Michel Odent, médico francês, fundador do 1º centro de pesquisa em saúde primal, autor de 12 livros, foi um dos palestrantes para explicar como a forma invasiva e desrespeitosa de lidar com a saúde da gestante e, portanto, do bebê que ali iniciou sua vida na Terra, se instalou na sociedade disfarçada de cuidado e atenção.

A representante da OMAEP (Organização Mundial das Associações Nacionais de Educação Pré-Natal), Julie Gerland, falou do poder que a natureza outorgou à mulher gestante de formar o futuro habitante do planeta e que todo investimento feito em prol do bem estar e da alegria dela se traduz numa enorme economia para as nações.
As crianças assim gestadas, com sua neurofisiologia respeitada, tem um cérebro hígido (saudável, robusto) e são predispostas à empatia, criatividade, compaixão e respeito pela vida (Kinship with all life) em todas as suas formas.

A presidente da FEFAF (Fédération Européenne des Femmes Actives en famille), ONG Internacional co-sponsor do painel, a sueca Madeleine Wallin, mãe de cinco filhos, falou da importância da presença da mãe no lar durante a primeira infância de seus filhos, garantindo uma base harmoniosa para o desenvolvimento deles. Isso só é possível em larga escala mediante uma sociedade que saiba valorizar a função materna, que no passado foi vivida como obrigação e único caminho para as mulheres e hoje já é uma opção de caminho consciente adotada por várias famílias na Europa e no mundo.

O embaixador Carlos Moreira Garcia, presidente da ECO92, esteve presente na exposição e endereçou à Madeleine uma pergunta sobre como a economia sueca resolveu esta questão da mulher mais presente no seu papel de mãe e, portanto, menos disponível para o (mercado de) trabalho externo. A presidente da FEFAF, Madeleine, respondeu exemplificando uma das possíveis soluções que é a adoção de uma jornada de trabalho de meio período durante estes primeiros anos de vida dos filhos, que pode ser compensada por um acréscimo proporcional de tempo de serviço antes da aposentadoria, que ocorreria num período em que a presença da mulher não é mais tão vital na criação dos filhos.

Outra colocação feita pelo embaixador sobre a quantidade de elementos tóxicos presentes no útero que o bebê vai habitar, oriundos da poluição e da alimentação com presença de defensivos agrícolas e hormônios, é bem respondida pelo conteúdo do livro de Michel Odent “Birth at the age of plastics”. Lá ele fala sobre a quantidade excessiva de, por exemplo, estrogênio, oriunda de hormônios artificiais injetados nos alimentos, que pode prejudicar, sobretudo, os indivíduos do sexo masculino em sua futura sexualidade, já que o estrogênio é um hormônio predominantemente feminino. Também expõe sobre a quantidade de resíduos plásticos encontradas no cordão umbilical, devido também as soluções intravenosas embaladas em plástico, que são gotejadas por longos períodos (até 36 horas) durante o trabalho de parto.

A célebre frase de Michel Odent bem resume a mensagem dada neste painel “para mudar o mundo é preciso primeiro mudar a forma de nascer”.

Espera-se que a sociedade desperte para a importância de preservar o primeiro ambiente do ser humano, o útero, para que ele então possa seguir o exemplo e respeite naturalmente a nossa casa em comum: o planeta Terra.

A Educação Pré Natal na Rio+20!

04/06/2012

“Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer” (Michel Odent)

É com imensa alegria que divulgamos o evento que a OMAEP, entidade internacional que congrega ANEPs em 22 países do mundo, entre elas a nossa, estará organizando durante a III Reunião do Comitê Preparatório para a Rio+20, no dia 15 de junho às 9:30h: 9 Months to Save the World: Mother Key to Sustainable Development.

O objetivo é chamar a atenção do mundo para o ser humano. É durante os 9 meses anteriores ao nascimento que a saúde física e emocional, a segurança, a inteligência e também a capacidade de amar são formadas. Se é nosso desejo acabar com o medo e a ganância que estão destruindo nosso planeta, devemos começar por trazer ao mundo seres humanos pacíficos, amorosos e saudáveis. Nós podemos fazer isso.

O evento, organizado em parceria com FEFAF (Federation European des Femmes au Foyer) e ICM (International Confederation of Midwives), contará com as falas de Michel Odent, Julie Gerland e Madeleine Wallin, e moderação remota de Robbie Davis-Floyd.

Carla Machado, presidente da ANEP Brasil, está integrando o comitê organizador, e a ANEP Brasil estará por lá em peso. Acreditamos muito nessa grande oportunidade, que é a de levar o tema da educação pré natal para um evento da magnitude da Rio+20. Aos que acreditam na causa pedimos que ajudem a divulgar e que enviem todas as vibrações positivas possíveis!

Abaixo, maiores detalhes sobre o evento:

9 Months to Save the World: Mothers, Key to Sustainable Development

“When the world wakes up and realises that it is mothers who hold the true power to human development, we will be able to stop destroying our planet and create the sustainable future we want,” says Dr. Julie Gerland, chief United Nations representative of OMAEP, Organisation Mondiale des Associations pour l’Éducation Prénatale (World Organisation of Prenatal Education Associations).

World governments, non-governmental organisations, leaders and indigenous peoples are preparing to meet in Rio de Janeiro at the United Nations Conference on Sustainable Development Rio+20 in June to meet the immense challenges facing humanity. The agenda is to eradicate world poverty, create sustainable development and peaceful prosperity for our planet and the whole human family.

OMAEP, a federation of 22 national associations, is joining forces with the European Federation of Parents and Carers at Home (EFAF), the International Confederation of Midwives (ICM) and the Primal Research Centre to highlight the decades of science confirming that the first nine months of life before birth is the key.

“If we wish to change the world, we must change the way we are born,” says Dr. Michel Odent, world renown pioneer and author of 13 books on the subject including “Childbirth in the Age of Plastics.” Dr. Odent will be presenting “The Evolution of the Human Oxytocin System” at the panel event organised by OMAEP. Research in epigenetics and cellular memory confirm that a pregnant mother’s thoughts, feelings, environment and the way she gives birth, directly affects the long term development of her child. Mothers are children’s first environment, this is where the seeds of peace, prosperity, intelligence and sustainability must be sown and nurtured.

“Parents have the responsibility of being the role models for their children,” says Madeleine Wallin, the Swedish mother of five and president of the FEFAF, “by passing on healthy relationships and sustainable practices children learn how to care for each other and the environment. A sustainable peaceful future can become a reality for all.”

Three countries are already leading the way by including “Prenatal Education” in their national education curricula.

The side event, 9 Months to Save the World: Woman Key to Sustainable Development will be held in Riocentro on 15th June 9:30am – 11am.

Honoured guest: Carlos Moreira Garcia former Brazilian Ambassador and Minister for Children, and President of the UN Earth Summit Rio-92

United Nations website Side Event description:

http://www.uncsd2012.org/rio20/index.php?page=view&type=1000&nr=567&menu=126

For more information 

http://naturalprenataleducation.com 

http://omaep.com 

http://www.anepbrasil.org.br

For interviews please contact : Dr. Gerland: julie@omaep.com
Justice Ioanna Mari (President OMAEP): contact@omaep.com
Carla Machado (President ANEP-Brazil): carla@omaep.com

OMAEP, Solomou 31- 10682 Athens, Greece

Michel Odent no Rio

26/10/2010

Divulgando!

PARTO E NASCIMENTO…RAZÕES PARA OTIMISMO?

Palestra gratuita com Michel Odent

Sábado, dia 30 de outubro de 2010 ás 9h30min.

LOCAL: Av Americas 3500, Condominio Le Monde, Auditorio Toronto, Bl Hong Kong, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro-RJ.

Informações: partoecologico@gmail.com
OBS: Não necessita inscrições prévia.

Florais na Maternidade: Parto (parte 3)

25/03/2010

Por Carla Machado

“Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer”. Essa frase de Michel Odent nos lembra o quão revolucionário pode ser o ato de conceber, gestar e parir um ser humano e que essa é a revolução de que tanto necessitamos no planeta atualmente. Não existe ato mais político e revolucionário do que trazer ao mundo um ser que já vem banhado de consciência: o ser humano do futuro.

A energia de Marte

Parto, partir, parir, encerrar um ciclo para abrir outro. O planeta Marte, regente do signo de Áries, nos fala disto. Toda passagem necessita da energia de Marte, que é o guerreiro, que vem para romper com um estado anterior (que se continuasse nos conduziria à morte / estagnação) para que outro se inicie. Quanta dificuldade há em se lidar com essa energia. Temos tanto medo dela que a exilamos. Mas porque temer uma energia tão necessária? Claro, que pode ser destrutiva, e é para ser, mas isso não é desculpa pra jogarmos Marte embaixo do tapete, temos que nos reconciliar com ela e aprender a usá-la. Ela está na natureza o tempo todo: um pinto tem que quebrar o ovo com seu bico para poder nascer, uma planta tem que perfurar a terra para receber a luz do sol. Quantas vezes temos dificuldade de fazer isto em nossas vidas?

Um parto é violento sim, tem um jogo brutal de forças, para a mãe, sob a forma de contrações com enorme peso sobre sua bacia e para o bebê que está lutando para entrar na vida de cabeça. Mas não adianta fugir desta energia, pois esta vem de qq maneira. Se nos utilizamos dela, tanto melhor para empoderamento da mãe, que se fortalece como fêmea capaz de cuidar e defender sua cria, e do bebê que pode acreditar mais em si mesmo, precisando menos de ajuda externa. Caso contrário. seremos certamente vítimas dela, sob a forma do bisturi cirúrgico (episiotomias e cesarianas).

Temos realmente um problema, aqui no Brasil. Para se ter uma idéia, a taxa de cesarianas numa sociedade equilibrada seria de 2% (que ocorre em comunidades rurais, como p.ex. “The Farm” nos EUA). No Brasil temos nos hospitais públicos (onde o médico ganha independente do tipo de parto) uma taxa de 30% e nas maternidades privadas a alarmante de 70%!!!! (Rio de Janeiro), sendo que a zona sul do Rio chega a 90% – onde a mulher selvagem está demasiadamente civilizada para dar à luz.

E é uma bola de neve, pq as raízes da violência da nossa sociedade estão no binômio: gravidez sob estresse + parto com excesso de intervenções, que no futuro resulta em aumento de 20% da agressividade nos homens e da auto-destrutividade nas mulheres (e dá-lhe Marte de novo).

Força dos inícios

Parece bobagem se pensarmos na duração desse momento em comparação com o tempo que teremos com a criança daí pra frente. Porém, esse é o momento em que tanto a mãe quanto o bebê estão plenos de hormônio do amor (oxitocina) que favorece a vinculação e desperdiçá-lo é uma perda não só para esta família, mas para toda a sociedade. Somos mamíferos, alguém consegue imaginar separar um bebê leão de sua mãe, neste importante período de namoro? Pois o bebê como De Gasper demonstrou nos anos 80 conhece a voz, o cheiro, os sons do corpo da mãe, ficou pelo menos 6 meses (quando já tem percepção e memória) esperando para ver o rosto, olhar fundo nos olhos, este é um momento mágico. “A primeira impressão é sempre a que fica”.

Curiosamente esta expressão existe em todas as línguas. Pois o vínculo é maior neste momento quando as ondas cerebrais são diferentes, a composição do sangue é diferente, e raramente na vida de novo isto acontece. Dura cerca de 2 horas (o tempo em que rotineiramente coloca-se o bebê na encubadora, “just in case”).

O parto deixa uma impressão tão duradoura, que aparece, mesmo depois de adulto, quando o indivíduo está sob stress. Tudo que acontece ali deixa marcas. Já se sabe que o uso de anestésicos, mesmo no parto normal nos traz um aumento da possibilidade de uso de drogas na vida adulta (o consumo de drogas sintetizadas aumentou consideravelmente na década de 70, quando da primeira geração a nascer com a ajuda de anestésicos – nos anos 50 – chegou à juventude).

  • Entrega: Rock Rose (Bach), Barnacle (Pacífico)
  • Dar conta de todo o processo: Elm (Bach)
  • Cansaço: Olive (Bach)
  • Equipe de parto (borrifar no local): Birthing Harmony (Deserto) e F.Ecológica (Minas)

Dor e êxtase

Ocitocina e Adrenalina são dois hormônios, de certa forma antagônicos. O primeiro é liberado quando estamos sentindo desejo, enamoramento, em momentos de paixão ou de intimidade. É ele que desencadeia o processo de parto. Nos hospitais, usa-se injetar ocitocina quando a mulher não está tendo contrações (o que acaba trazendo a necessidade de anestesia, pois as contrações ocorrem sem espaçamento). O segundo, adrenalina, é o hormônio da resposta rápida, do lutar ou fugir e é liberado em situações de invasão e ameaça externa.

Ou seja, para que um parto ocorra mais rápido e seja mais fácil é necessário criar um ambiente intimista, que favoreça a liberação de ocitocina e endorfinas (que reduzem a dor) e evitar ao máximo as invasões de privacidade, que liberam adrenalina e atrasam todo o processo.

Se a mãe toma anestesia, ela se livra da dor, mas também do êxtase de estar plenamente presente e consciente, com todas as suas células, da maravilha do nascimento.

Portal

Creio que em poucos momentos da vida podemos estar em contato tão pleno com nossa natureza mais pura e selvagem do que no momento do parto. É comum o relato de orgasmo, pois é o ápice, o ponto culminante da relação sexual que ocorreu 9 meses antes. É para ser um momento mágico, divino, uma grande passagem, uma verdadeira pós-graduação do feminino. Ou pode ser frustrante, principalmente se a mulher se deixar roubar esta grande chance que a vida lhe dá de vivenciar tão plenamente o amor.

1os cuidados e vínculo

É muito importante a mãe se informar das rotinas com o recém nascido antes do parto. Nos hospitais, a rotina é aspiração nasal e bucal, com sondas nasogástricas extremamente desconfortáveis para o bebê que está respirando bem. O corte do cordão deve ser feito com calma, apenas após este parar de pulsar, respeitando a possibilidade do bebê ir se acostumando a utilizar o seu pulmãozinho virgem. A injeção de vitamina K é recomendada apenas nos casos de hemorragia e o colírio (nitrato de prata / antibiotico) apenas se a mãe tem doença venérea.

Não precisa haver ansiedade em remover a vernix, que deixa a pele tão macia e cheirasa. O banho pode esperar. O fundamental nesta primeira hora após nascido é o olho no olho, que possibilita o enamoramento que vai durar a vida toda.

A separação nas primeiras horas de nascido (berçários, incubadoras, banhos demorados longe da mãe) deixa um rastro de dificuldades em estabelecer vínculos, isolamento social e também hábitos consumistas, pois o bebê se vincula com objetos e não com pessoas.

Carla Machado é terapeuta reichiana, astróloga e trabalha com florais desde 1996. Em 1998, quando engravidou da primeira filha, que nasceu numa casa de parto, começou a estudar e atuar como voluntária na conscientização do processo de maternidade. De lá para cá participou de vários congressos no Brasil e no exterior ligados ao tema e teve seu 2o filho em casa, com uma parteira, e utilizando essências florais.