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O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 8 – final)

04/12/2010

(tradução livre de texto de  Marie-Andrée Bertin, fundadora da OMAEP)

REFLEXÕES SOBRE CONCEPÇÃO

O tema que nós vamos abordar não tem confirmação científica, e vocês logo entenderão porque. Por outro lado, os fatos que temos observado, assim como nosso conhecimento sobre campos energéticos e registro celular podem servir como embasamento.

Quando um casal se une, produz, através das sensações e emoções vivenciadas, um intenso campo de força que produz vibração em todas as suas células, inclusive os gametas que se unirão para formação do ovo que dá origem a vida.

Analisemos dois casos extremos:

– Um casal que, num sábado à noite, abusa de bebida alcoólica, discute ou briga, e depois repentinamente faz as pazes na cama. Se  nessa noite um novo ser é concebido, esse casal corre um alto risco de produzir um indivíduo predisposto à sensualidade e à violência, uma vez que foi permeado por essa energia a partir da concepção.

– Para um casal que se une num ato de profundo amor, consciente da importância do momento que está vivendo, após ter elevado a consciência lendo um texto inspirador, apreciando belas obras de arte ou ouvindo boa música, grandes são as chances de trazer ao mundo um ser iluminado.

A sabedoria popular repete há séculos: crianças amadas, belas crianças.

Quando um jardineiro percebe que é chegada a estação fértil, seleciona as sementes e prepara a terra. Quando deseja ter um filho, o indivíduo consciente atenta para a qualidade de suas “sementes” e prepara um “solo” saudável e forte para se preparar pra produzir vida saudável e emocionalmente estruturada.

Segundo a homeopatia, também é possível a realização de tratamentos para “drenar a terra” e evitar a transmissão de potenciais doenças hereditárias.

No momento da concepção, o homem e a mulher possuem papel de igual importância: suprir cada qual metade do material genético desse novo ser. No entanto, durante os nove meses de gestação, a influência materna predomina. A palavra mãe tem a mesma origem etimológica de mater (matéria), e a razão disso é simples: desde a antiguidade é sabido que a mãe tem poder direto sobre a matéria viva que constitui seu bebê. Esse poder é tão grande que pode reduzir os aspectos negativos e ampliar os positivos contidos na estrutura genética do bebê concebido.

CONCLUSÃO

A responsabilidade por esse imenso trabalho que a natureza coloca nas mãos das mães deve ser compartilhada por todos. Até certo ponto somos todos responsáveis pelas crianças, que representam o futuro. É preciso que cada um faça sua parte ajudando a despertar a consciência coletiva e lutando pela atuação da sociedade, como um todo, e do Estado em prol de um futuro melhor.

Os resultados e a economia seriam surpreendentes se, em vez de continuarmos a construir mais e mais hospitais e presídios, para atender uma demanda cada vez maior de indivíduos com problemas, governos mundo afora começarem a dar mais atenção às origens dos problemas de saúde e segurança pública, cuidando, instruindo e oferecendo suporte de qualidade a suas gestantes, de forma que elas tenham as melhores condições para desempenhar papel de tamanha importância para a humanidade.

A educação pré-natal natural é a forma de prevenção mais eficiente, uma vez que favorece a gênese do indivíduo do ponto, de vista físico e psicológico.

Hoje, num momento em que é grande a atenção aos direitos humanos – de homens, mulheres e crianças – não deveria ser reconhecido, como fundamental, o direito do ser humano de ser concebido e gestado – e também nascido e educado – sob as melhores condições? Assim ele teria desde o princípio uma melhor estrutura e condições para se desenvolver e viver uma vida de qualidade.

Assim, acreditamos que esses indivíduos mais fortes, equilibrados e auto-confiantes, mais abertos para a vida, serão capazes de criar, em larga escala, um ambiente mais amistoso onde todos poderão encontrar seu espaço e ser felizes.

Um sonho que pode rapidamente se tornar realidade se todos os casais, educadores e profissionais de saúde devotarem seus esforços para tanto.

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Parte 7

O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 7)

25/11/2010

(tradução livre de texto de  Marie-Andrée Bertin, fundadora da OMAEP)

IMAGENS MENTAIS

Deixando de lado o ponto de vista emocional, questionamos se imagens mentais produzidas pelo cérebro da futura mãe atingem o bebê. Diversos fatores sugerem que sim. Lembramos do caso do homem que, sendo gestado, percebeu a intenção de matá-lo na consciência de sua mãe, quando ela tentou induzir um aborto tomando banhos extremamente quentes.

Alguns fatos

Drs. PICARD e ANTONINI, em seu livro “Como Tratar Reumatismo” dedicam um capítulo à influência do estado mental na saúde. Eles citam um caso curioso, que se destaca de todos os demais:

“O homem é um animal que possui consciência e seu corpo e sua vida como um todo são impregnados por sua alma e seus pensamentos.

Durante a gestação, a futura mãe molda seu bebê usando corpo e espírito.

Compartilhamos uma história real, que testemunhamos pessoalmente, ao mesmo tempo dramática e incrível.

Em abril de 1940 um jovem soldado engravidou sua esposa. Em maio, por ocasião da ofensiva germânica, um aliado procurou sua esposa e avisou: “Não se preocupe, seu marido está vivo. Mas ele foi feito prisioneiro na Alemanha. Ele foi baleado e teve seu braço amputado abaixo do cotovelo”. O choque que essa mulher sofreu foi tamanho que, em janeiro de 1941, ela deu à luz a um bebê adorável, mas que nasceu com uma amputação congênita de um dos braços…inacreditável!

Assim somos nós. Na maior parte das vezes isso não se expressa com tanta clareza, mas nossos pensamentos tem forte impacto sobre nossa saúde.”

Tivemos oportunidade de coletar uma série de testemunhos semelhantes, de mães e parteiras, em conferências de que participamos.

No caso reportado por esses dois médicos, o choque foi muito profundo, a imagem da amputação do marido teve uma carga emocional muito forte sobre a esposa durante um longo período, justamente quando ela estava gestando seu bebê. Essa imagem interferiu significativamente no padrão natural de estruturação do embrião.

A nós cabe questionar: como isso pode ser evitado? Acreditamos que a resposta é procurar sempre substituir a imagem negativa que surgir pela de um bebê divino, trazendo para seus pais imensa alegria. Se adotar essa atitude for muito difícil, é preciso buscar apoio psicológico. Para superar essa situação, é preciso que estejamos informados dos perigos e riscos a que estamos sujeitos e das alternativas para evitá-los.

Esse exemplo, felizmente extremamente raro, sugere que, por outro lado, imagens positivas baseadas em expectativas boas podem beneficiar o bebê que está sendo gerado. E isso é maravilhoso! Quanta esperança podemos depositar e quão valorizada deve ser a mulher que está gerando uma nova vida!

Buscando uma explicação

Através de que processos as imagens mentais atuam? Até o presente momento a ciência tradicional não fornece respostas. A física quântica, no entanto, propõe alguns “exemplos”, padrões que, se repetidos ao longo dos anos, podem constituir pistas confiáveis.

SCHROEDINGER mostrou experimentalmente como a consciência de um observador pode extrair partículas elementares de um estado de desordem, ao introduzir ordem em seu comportamento.

Adicionalmente, médicos franceses, britânicos e americanos (como CHARON, VINCENT, BOHM e CAPRA) observaram que partículas têm capacidade de registrar informações recebidas, rememorizá-las e transmiti-las a outras partículas. E, segundo eles, a natureza da informação integrada modifica a qualidade vibratória da partícula.

No ocidente, biofísicos como R. SHELDRAK falam de campos universais conhecidos como campos morfogenéticos ou bióticos, e asseguram que a morfologia específica de uma espécie subsiste desde que enriqueça a experiência dos indivíduos dessa espécie.

No oriente, pesquisadores, de forma similar, conceberam um campo biológico composto por partículas livres que formam um campo eletromagnético, em geral neutro, que regula a reprodução e o desenvolvimento de várias formas de vida. O campo biológico pode ser um condutor e um vetor para toda informação. Cada célula, considerada como um sistema eletrônico complexo, deve estar em constante interação com esse campo condutor de informação.

Mas enquanto aguardamos que essas hipóteses sejam comprovadas, a vida precisa ser vivida, e por muitos anos a habilidade de, com a consciência, aprimorar as funções, as estruturas e os órgãos do corpo humano tem sido usada como tratamento, em profilaxia, em educação e reabilitação.

A vida hoje

Nós já vimos que a mãe pode atuar positivamente educando seu bebê naturalmente durante a gestação. Em outras palavras, ela pode suprir com informações positivas o banco de dados que vem sendo acumulado nas células do bebê desde a concepção. A futura mãe pode, através da qualidade de seu estado interior, seus sentimentos e pensamentos, introduzir mais ordem, saúde, estabilidade e adaptabilidade  na psique e efetivamente nas células que, dia após dia, vão formando o corpo do bebê.

Estando a mãe consciente disso, ela entregará sua vida interior às flutuações do acaso de sua existência ou ela tomará as rédeas de sua vida para seguir numa direção favorável a seu bebê? Isso pode ser feito com leveza e alegria, sem pressão ou culpa pelo que não foi possível realizar. Essa decisão envolve o pai do bebê, parentes e amigos próximos do casal.

Deixemos claro que é preciso não se deixar dominar pela culpa. Os pais devem fazer apenas o que for possível. O bebê continuará seu trabalho como indivíduo, por conta própria. O padrão que ele adotará para sua vida será um desdobramento dessa atuação dos pais.

Em resumo, que pensamentos a futura mãe pode cultivar para beneficiar seu bebê? (não nos esqueçamos de que ela também se beneficiará desse processo)

Uma mulher tem um grande potencial imaginativo. Ela deve usar isso em benefício de seu bebê. Imaginação é a faculdade criativa do espírito humano. Se a futura mãe canalizá-la para o belo, para a inteligência, a bondade e a sabedoria, poderá realizar maravilhas.

Por exemplo, a gestante pode relaxar e visualizar (“ver” em sua imaginação) homens e mulheres, seu bebê…exibindo as mais nobres qualidades humanas. A criança será permeada com essa energia.

É preciso ser vigilante no sentido de evitar projetar desejos pessoais na criança, pois ela não pode ser responsável por compensar fracassos ou frustrações vividos pelos pais. A criança é um ser livre, com sua individualidade. Logo, a expectativa que deve ser depositada no bebê é de qualidades genéricas, básicas, a partir das quais sua personalidade e seu caráter serão desenvolvidos, dentro da sua individualidade, ao longo de sua vida.

Ainda que não tenham muito tempo, todos os pais e mães devem interagir de forma amorosa com seu bebê. Num momento tranqüilo do dia, como por exemplo antes de dormir, eles podem dizer a ele o quanto é amado e desejado, agradecer por sua boa saúde e pelo quão belo, nobre, generoso e forte ele será. Eles devem se permitir total liberdade ao conversar com o bebê: nunca será demais.

A futura mãe também pode se comunicar com o bebê no meio de sua rotina diária, acariciando a barriga, conversando com ele, vivendo intensamente sua presença, como se ele já tivesse nascido. Esse ambiente amoroso trará alegria para a mãe e para o bebê.

Esse conhecimento data de muito tempo. Ao conhecerem e compreenderem a importância dessa consciência criativa, alguns casais já com filhos manifestam desejo de ter mais um. Alguns casais observaram que coisas extraordinárias aconteciam, que adotar esse hábito durante a gestação a tornou diferente das anteriores, e o mesmo quanto ao bebê e a seu relacionamento com ele: ao mesmo tempo profundo e simples. Esses casais também sentiram que aprenderam muito com a gestação, se transformaram e sua relação se tornou mais rica.

Esses são alguns pontos essenciais sobre gestação. Agora podemos retornar à origem da vida humana, a concepção.

(a continuar)

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O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 6)

21/11/2010

(tradução livre de texto de  Marie-Andrée Bertin, fundadora da OMAEP)

Deduções dos médicos

A que conclusões a medicina pode chegar a partir desses fatos, e o que fazer para que possamos nos beneficiar desse conhecimento?

Na tese mencionada acima, Dr. RICHARD sugeriu que obstetras e parteiras vão além do monitoramento do desenvolvimento somático da gestação, levando em conta também o estado emocional da gestante. Ela sugere que pediatras avaliem a existência de questões pré-natais afetando bebês e crianças sob seus cuidados. Tomar conhecimento desses fatores, permitir que a mãe se expresse e a acolher são ações que contribuem para lidar com sintomas apresentados pelas crianças.

O que sugerir a futuros pais?

Futuros pais devem expressar seu amor e liberar sua criatividade, assim eles poderão estabelecer seu vinculo com o bebê, respeitando sua individualidade, e de acordo com sua cultura. Em liberdade e com espontaneidade.

Informar os mais jovens

Manter a espontaneidade requer que esse conhecimento seja integrado à consciência da humanidade com absoluta naturalidade. Isso significa que o ideal é que esses conhecimentos sejam transmitidos aos jovens muito antes que comecem a pensar em ter filhos, preferencialmente junto com as informações sobre anatomia, psicologia e métodos contraceptivos, que constituem a disciplina que conhecemos como “educação sexual”, presente em muitas escolas hoje. Dessa forma esse conhecimento teórico se integraria com os instintos mais profundos dos jovens, e reforçaria sua auto-estima quando confrontados com a vida. Nutriria sua confiança no futuro, e na ação conjunta, consciente e responsável, para criação de uma nova vida.

Percebo claramente os resultados desse trabalho quando converso com jovens. Já ouvi uma jovem, encantada, exclamar: “o principal “dever” de uma gestante é ser feliz!”. Ela está certa!

Mas nem sempre é tão simples como pode parecer. Uma futura mãe, dependendo de suas condições de vida, de sua história – sua própria gestação, nascimento, infância e mesmo sua adolescência – pode estar impregnada de medos, de sentimentos de dúvida e ambivalência. Ela deve aceitar esses sentimentos com naturalidade, acolhê-los e buscar um estado interior positivo, usando para tanto os recursos necessários ao seu alcance, como por exemplo: manter contato com a natureza, onde a vida pulsa vibrante; apreciar obras de arte que a inspirem. Se engajar em atividades artísticas também pode ser uma ótima alternativa.

O papel do pai

O futuro pai tem papel fundamental nesse processo. Não há ninguém em melhores condições de proporcionar felicidade para seu bebê, assegurando a segurança e a felicidade da futura mãe. Um provérbio chinês diz que “se a mãe carrega o bebê, é tarefa do pai carregar a mãe e o bebê”. Um ditado ocidental sugere ao pai que, ainda que não possa carregar o bebê em seu corpo, o carregue em seu coração e em seus pensamentos. De alguma forma em sua psique em desenvolvimento a criança se sentirá amada, desejada e respeitada, de forma que se entregará para a vida com confiança.

Dificuldades da vida

É natural que pensemos que acontecimentos naturais da vida podem perturbar esse estado ideal, causando estresses violentos (um acidente de carro), problemas sérios de ordem prática (o pai perde o emprego) ou algum luto (a futura mãe pode ter que lidar com a perda de sua mãe, de outro filho, do parceiro). O estresse e sofrimento materno não afetarão o bebê sendo gestado? Sim, isso não pode ser evitado. Françoise DOLTO recomenda que, nesses casos, ela converse com seu bebê. Ela deve confortá-lo e falar , por exemplo: “sim, bebê, hoje estou triste, mas tudo passará. Um dia estaremos felizes, juntos, você verá, a vida pode ser muito boa.”A criança registrará que a vida pode, sim, desferir duros golpes, mas que tudo pode ser superado. O esforço e a coragem de sua mãe vão ajudá-lo a desenvolver um forte caráter.

(a continuar)

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O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 5)

16/11/2010

(tradução livre de texto de  Marie-Andrée Bertin, fundadora da OMAEP)

Impressões emocionais

Conhecimento

Um fator absolutamente essencial, revelado por psicólogos e psiquiatras, é a qualidade o vinculo emocional entre a mãe e seu bebê.

Dr. VERNY, psiquiatra de Toronto, conta que “o amor que a mãe nutre por seu bebê, as idéias que cultiva para ele, têm influencia determinante em seu desenvolvimento físico, na estruturação de sua personalidade e nas predisposições de seu caráter.”

Uma pesquisa realizada com 500 mulheres mostrou que durante a gestação quase 1/3 delas praticamente nunca pensava no bebê que carregava em seu ventre. Essas mulheres deram à luz a bebês com peso abaixo do normal, que sofriam de problemas digestivos e nervosos mais sérios do que os sofridos por outras crianças. Eles choravam muito nos primeiros anos de vida – ainda não havia tempo hábil para avaliar suas reações como adolescentes e adultos – e enfrentavam dificuldades para se adaptar a outras pessoas e à vida em si.

Essas mães não tinham conhecimento do fato de que seus sentimentos e pensamentos nutriam a psique em desenvolvimento e que o amor é uma necessidade primordial do ser humano mesmo antes do nascimento. Suas crianças foram abandonadas ainda no útero.

Dra. Sylvie RICHARD, pediatra em Tours, produziu uma tese sobre “a influência das experiências emocionais da gestante no temperamento e na saúde de seu bebê”.

Ela monitorou centenas de mães e bebês durante a gestação, nascimento e os primeiros oito meses de vida, os dividindo em três grupos, de acordo com os níveis de estresse sofrido de forma recorrente durante a gestação: normal, intermediário e extremo. As estatísticas obtidas revelaram uma relação óbvia entre os distúrbios emocionais experimentados pela mãe durante a gestação e a saúde e problemas psicológicos enfrentados pelos bebês.

Esse estudo tem relação com outro, realizado pelo Dr. ODENT, segundo o qual a saúde primal – a saúde física e psicológica básica do indivíduo – é estabelecida durante o período de maior dependência em relação à mãe, isto é, durante os nove meses de gestação, os momentos em torno do parto e o período de amamentação.

Em 1964, na Holanda, uma quantidade fora do normal de pessoas obesas se apresentou diante de um comitê formado para analisar a questão. Essas pessoas vinham de uma região submetida a extrema fome e nazismo em 1944. Os mais afetados eram aqueles cujas mães passaram fome durante os primeiros quatro ou cinco meses de gestação, momento em que o hipotálamo, que entre outras funções controla a saciedade, estava em pleno desenvolvimento. A ansiedade sofrida pelas mães teve um efeito biológico no hipotálamo dos bebês que estavam sendo gestados.

Outro estudo, conduzido na Finlândia, envolvendo crianças que haviam perdido seus pais antes ou depois no nascimento, mostrou resultados bem diferentes entre esses dois grupos. Os bebês que compartilharam do estresse materno ainda no útero sofreram mais do que os que já haviam nascido quando da morte dos pais. A proporção de distúrbios psicóticos era mais alta no primeiro grupo: 16% de esquizofrênicos, contra 6% no segundo grupo. Nesse caso os pesquisadores mantiveram a hipótese de dano anatômico do hipotálamo.

Esses exemplos contemplam situações de estresse extremo. Felizmente fome e morte de cônjuge são eventos pouco freqüentes.

Normalmente as questões que surgem são de natureza funcional ou psicológica, sendo passíveis de resolução.

O Professor P. FEDOR-FREYBERGH, da Universidade de Estocolmo, contou a história de uma menininha chamada Kristina que, desde o nascimento recusava obstinadamente o peito materno, embora bebesse avidamente o leite de uma mamadeira, quando a ela era oferecida, assim como sugava vigorosamente o peito de outras mulheres. A intuição do professor o levou a questionar se a mãe realmente desejou aquela criança. “Não”, admitiu a mãe. “Eu quis fazer um aborto, mas como meu marido desejava a criança eu a mantive.” Sem dúvida Kristina percebeu a assimilou a rejeição de sua mãe e seu comportamento era uma reação. A mãe compreendeu e, como seu coração já estava tocado por sua bebê, mudou de atitude e a relação das duas evoluiu.

Nem todas as crianças apresentam reações tão imediatas. Numa ocasião, o medico alemão Paul BICK foi consultado por um homem que se queixava de ondas súbitas de calor, acompanhadas de crises de pânico. O psiquiatra tentou tratá-lo com as técnicas usuais, mas não obteve sucesso. Decidiu então colocar o paciente sob hipnose e provocar uma regressão. Durante sua primeira infância e nascimento não foi identificada qualquer questão. O medico foi ainda mais fundo, levando o paciente a regredir até o nono mês de gestação, depois até o oitavo, até que no sétimo mês o paciente se sentiu sufocado, irritado, com calor e com vontade de se matar: ali estava a origem de seu problema. Depois de trazê-lo de volta do estado de hipnose, combinou de chamar a mãe dele para uma sessão. A mãe, então, pode ajudar a libertar seu filho desse nó, confessando que no sétimo mês de gestação, num ato de desespero, tentou induzir um aborto tomando banhos extremamente quentes. Trinta anos depois ela havia deixado seus problemas para trás, mas a expriência ficou gravada na memória subconsciente de seu filho, e acabou por atormentar sua vida quando adulto.

Para tentar compreender o processo que desencadeia esse tipo de fonômeno, vamos nos desviar um pouco do tema central e analisar os estudos desenvolvidos pelo cirurgião-dentista Dr. LEVINE, de Manchester. Durante um alguns anos ele colecionou dentes de leite e os observou com cortes transversais usando um microscópio eletrônico.

Dentes são uma espécie de arquivo, contendo informações sobre nosso corpo (dentes de leite são formados durante a segunda metade da gestação e o primeiro ano de vida). As camadas de esmalte podem ser datadas da mesma forma que os geólogos datam as diversas camadas da terra.

Em sua pesquisa, Dr. LEVINE primeiro observou uma linha acinzentada, que chamou de “linha neonatal”, pois ela corresponderia ao “trauma do nascimento”. Ela não estaria presente em caso de nascimentos ocorridos sob condições ideais. As camadas de esmalte localizadas abaixo dessa linha são depositadas nos botões dentários em desenvolvimento dentro do maxilar do bebê enquanto ele ainda está sendo gestado. Nessas camadas ele observou freqüentes anomalias, até mesmo falhas imperceptíveis a olho nu.

O que pode ocorrer para atrapalhar a formação correta dos dentes de leite…e provavelmente de órgãos nobres como o coração, o fígado e o cérebro, que não retém traços anatômicos descerníveis?

Seguindo em frente, Dr. LEVINE se associou a um psiquiatra, que conversou com as mães das crianças cujos dentes foram observados. Eles confirmaram haver um correspondência exata entre as anomalias identificadas e vários tipos de estresse violento sofrido por essas mulheres durante a gestação.

Mas como se dá esse fenômeno?

Quando nos estressamos, nosso organismo, nossa glândula adrenal, em particular, produz adrenalina e catecolamina, os chamados “hormônios do estresse”, responsáveis pela capacidade do nosos organismo de enfrentar situações estressantes. Numa gestante, esses hormônios, ao serem liberados, atravessam a placenta e inundam o bebê, criando nele um estado psicológico semelhante ao da mãe. Esse estado, para o bebê, é muito mais forte e mais significativo do que para a mãe, pois o organismo do adulto já teve oportunidade de desenvolver, ao longo da vida, estratégias de defesa, enquanto que o organismo do bebê ainda não possui qualquer defesa.

Gestantes acessando essas informações não devem se exasperar, pois nos referimos a choques severos. Não devem se preocupar se algo dá errado, causando um momento de estresse. Apenas choques muito sérios e questões que perduram por muito tempo afetam o bebê – por exemplo, um relacionamento péssimo da mãe com seu parceiro, em que o estresse é recorrente e já vem sendo estabelecido há algum tempo.

É bom lembrar também que a futura mãe possui o que Dr. VERNY chamou de “escudo protetor”, para sua criança: o seu amor. Isso pode falhar apenas sob condições muito ruins.

Felizmente, quando a mãe pode agir positivamente, o oposto também é verdadeiro. Quando estamos felizes, alegres, de bem com a vida, nosso cérebro secreta endorfinas, os “hormônios da felicidade” que, numa gestante, são transmitidos para o bebê com a conseqüente sensação de relaxamento e joie de vivre experienciada pela mãe. Se o bebê no útero se desenvolve nessas condições favoráveis durante boa parte da gestação, carregará essa memória consigo e grandes são as chances de que seu caráter seja influenciado por elas: um indivíduo com gosto pelo prazer, capacidade para encontrar a felicidade e que naturalmente criará, vida afora, condições para tanto.

Se o bebê no útero está sendo nutrido com afeto, certamente será capaz de retribuir, como revelado no fascinante estudo com uso de ultrassom realizado pela Dr. Alessandra PIONTELLI, de Milão.

“Madame D. estava gestando gêmeos. A primeira ultrassonografia mostrou que o menino (Luke) era bem mais ativo que a menina (Alicia). Ele se virava constantemente, dando chutes e esticando suas pernas contra a parede uterina. A sensação da mãe era de que ele estava impaciente para sair dali e essa foi também minha impressão. Em alguns momentos ele interrompia sua “ginástica” para dar atenção à sua irmã. Ele esticava seus braços e com suas mãos tocava o rosto dela, através da membrana que os separava. Ela respondia se virando na direção dele e por alguns instantes seus rostos se tocavam em um gesto de carinho. Nós os apelidamos de “gêmeos amorosos”.

Nós percebemos que Alicia tomava iniciativa de fazer contato com o irmão com menos freqüência do que ele. Na maior parte do tempo ela parecia sonolenta e o movimento de suas mãos e cabeça era quase imperceptível. No entanto, ela sempre respondia às iniciativas de contato de Luke.

Logo apos o nascimento fui visitá-los no hospital. A mãe contou que Luke nasceu primeiro e a diferença de peso entre os dois bebês era bem grande. Ele possuía uma estrutura robusta e era muito vivo e alerta, enquanto Alicia era bem delicada e calma. Suas características correspondiam exatamente ao comportamento observado quando ainda estavam dentro do útero.

Com um ano de idade eles haviam começado a andar, balbuciavam as primeiras palavras e brincavam muito juntos. Sua brincadeira favorita era de se esconder atrás de uma cortina, que aparentemente representava a membrana que os separava dentro de útero. Luke empurrava a cortina com suas mãos, Alicia movia sua cabeça em sua direção e os dois acariciavam um ao outro.”

Esse estudo foi muito significativo. Dra. PIONTELLI demonstrou que desde  os primeiros estágios da vida, quiçá desde a concepção, o indivíduo apresenta tendências comportamentais. Esses padrões comportamentais iniciais parecem persistir após o primeiro ano de vida, indicando um constante desenvolvimento da mesma personalidade. E, o que quer que isso possa significar, é certo que a necessidade e a habilidade de comunicação estão presentes na vida uterina.

(a continuar)

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O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 4)

13/11/2010

(tradução livre de texto de  Marie-Andrée Bertin, fundadora da OMAEP)

Deduções feitas por médicos

As “gestações musicais” surgiram em consequência dos estudos realizados por Marie-Louise AUCHER. Eles foram iniciados em Pithiviers, nos anos 1970, por Michel ODENT e então levados para Paris, Rouen e várias outras cidades. Pais, mães, irmãos e irmãs cantavam em corais, junto com médicos, parteiras e enfermeiras pediátricas, com intuito de criar uma atmosfera amistosa entre a equipe médica e futuros pais, especialmente a futura mãe. Essa atmosfera quase familiar facilitava enormemente o parto.

Cantar em grupo, segundo Marie-Louise AUCHER melhorava o estado geral e emocional das mulheres, que davam à luz a crianças fortes, com o corpo bem proporcionado (parte superior e inferior) – crianças tranquilas e felizes, capazes de lidar com as mais variadas situações com que se deparassem, um sinal de equilíbrio psicológico. E essa é uma qualidade muito importante para encarar o mundo que as aguarda.

À luz desse conhecimento a respeito da audição do bebê no útero e das conseqüências emocionais diretamente relacionadas a esse sentido, obstetras e pediatras mudaram e aprimoraram suas práticas.

Já há algum tempo que Dr. TOMATIS vem ajudando crianças com distúrbios e adultos com problemas, fazendo com que ouçam as vozes de suas mães, filtradas por um meio aquático, de forma similar a que eles as ouviam quando no útero através do liquido amniótico. Essa regressão ao período pré-natal permite que seus pacientes, jovens ou mais velhos, estabeleçam um novo contato com sua energia primordial e comecem a desenvolver-se novamente, de forma adequada.

Mais recentemente, Dr. COURONNE, chefe do departamento de neonatalogia do Metz Hospital, responsável pelo cuidado a bebês prematuros, surgiu com a expressão “som do cordão umbilical”, se referindo ao som que conecta o bebê com seus pais.

O que é um bebê prematuro? É aquele que nasceu antes de atingir total maturidade. Ele está em um ambiente diverso daquele onde deveria ter continuado seu desenvolvimento, mas com a estrutura física prematura. Precisa da presença materna ainda mais do que o bebê nascido a termo. Por isso em situações em que a presença da mãe é insuficiente, ou mesmo impossível, Dr. COURONNE costuma pedir aos pais que gravem uma fita cassete contendo 50% da voz da mãe, 30% da do pai (fala livre, inspiração vinda do coração) e 20% de música suave. Um pequeno gravador é colocado na incubadora e essa gravação é reproduzida por meia hora diariamente, fora do período de tratamento. É possível perceber um leve sorriso no rosto do bebê, seus braços e pernas relaxam e ele dorme tranquilamente. A criança reencontra sua referencia de amor e segurança.

Experimentos iniciais com grupos de controle mostraram que bebês submetidos a essa prática se recuperaram de doenças mais rápido que os bebês que não tiveram contato com o “som do cordão umbilical”.

Ao mesmo tempo, pais que com freqüência se sentiriam culpados por não ter conseguido levar a gestação a termo, conseguem estabelecer laços afetivos com o bebê. Eles também não ficam com a impressão, freqüente nesse tipo de situação, de que a equipe médica está “raptando” seu bebê, que os consideraria como seus “pais”. A relação entre os pais e os bebês se desenvolve bem, já que essa prática facilita o “reencontro” entre os pais e o bebê, e veremos o quanto ela é importante para esse último.

Custo: uma fita cassete. Essa prática vem lentamente sendo adotada por outras clínicas na França e além – já tive a oportunidade de vê-la sendo usada em Oslo.

Dr. KLOPFENSTEIN, ginecologista responsável pela maternidade de Calais, realizou um interessante estudo baseado no método do Dr. TOMATIS, pelo qual se interessou quando teve contato com casos de pacientes a ele submetidos em outros hospitais.

Ele utilizou ”ouvidos eletrônicos” (equipamentos auditivos que realizam um balanceamento de sons) em jovens gestantes por meia hora antes de iniciar suas aulas pré-natais semanais. Estatísticas obtidas depois de quatro anos mostram claramente a redução da ansiedade, a redução da média de horas trabalhadas de quatro para duas horas e 40 minutos, a redução das taxas de cesáreas em 1/3 em relação à média nacional e uma redução significativa na necessidade de intervenções médicas.

Deixando de lado testes e planilhas (já que não há critérios objetivos eficientes para aferir sensações como felicidade e liberdade – o que sem dúvida é uma coisa boa) a equipe médica observou que a relação entre mães e seus bebês era em geral excelente e, acrescenta Dr. KLOPFENSTEIN, “aguardamos com confiança que essas crianças se desenvolvam, sabendo que certas deficiências decorrentes da ansiedade de suas mães se dissiparão. Seu potencial está sob observação, mas é promissor.”

Seria possível equipar todas as gestantes com “ouvidos eletrônicos”, de forma a elevar seus níveis vibracionais e dinamizar seu prazer em viver? Isso seria muito difícil! Mas é possível obter resultados semelhantes com práticas que podem ser incorporadas no dia-a-dia das gestantes, viáveis em qualquer lugar do planeta onde há uma criança pra nascer.

Deduções feitas por futuros pais

“Se a gestante adquire o hábito de cantar, além de falar, ela produz ressonâncias muito mais intensas, com forte impacto físico e neurológico. É muito mais completo e rico para o bebê, e estimulante para a mãe” (Marie-Louise AUCHER). Imaginem, então, se o futuro pai canta junto com ela ou se a família toda usa seus recursos vocais junta?

Se, além disso, a mãe e o bebê escutam músicas suaves, estruturadas e estruturantes, ambos se beneficiarão.

Michele CLEMENTS, médica inglesa, estudou as reações de fetos a diferentes tipos de música. Ela descobriu que BRAHMS e BEETHOVEN agitavam o bebê, enquanto que MOZART e VIVALDI o acalmavam. MOZART é muito apreciado, especialmente as composições de sua juventude. Rock deixa os bebês irritados. Temos conhecimento de casos de futuras mães que precisaram deixar concertos de rock, por conta de chutes e golpes insuportáveis que recebiam do bebê. O trabalho de Marie-Louise AUCHER pode nos ajudar a compreender porque. O som do baixo, que é muito forte nesse gênero musical, vibra no base da coluna da gestante, atingindo o bebê com força e diretamente, causando nele, assim, reações fortes. A conclusão é de que a mãe deve escolher as músicas que ouve de acordo com seu gosto musical, mas atentando para as reações do bebê.

Ouvir músicas repetidamente pode até levar a um aprendizado efetivo. O maestro americano Boris BROT, numa ocasião, sendo entrevistado na TV, foi questionado sobre de onde vinha seu amor pela música. Ele respondeu que vinha de muito antes de seu nascimento. Quando ele estudou alguns trabalhos pela primeira vez, descobriu que sabia de antemão a parte do violoncelo. Ele não compreendeu esse fenômeno até que conversou sobre o assunto com sua mãe, “por acaso” uma violoncelista. Ela puxou pela memória e pesquisou em seus arquivos, e identificou que as peças cujas partes seu filho conhecia sem tê-las estudado eram exatamente aquelas que ela estudou e praticou quando o estava gestando.

Isso comprova a ocorrência de registros precisos e memorização resistente na gestação. RUBINSTEIN, Yehudi MENUHIN e Olivier MESSIAEN contam experiências semelhantes. Se pudéssemos perguntar também a MOZART…

Não é possível garantir às futuras mães que, se ouvirem – ou tocarem – muita musica durante a gestação, darão à luz a compositores, cantores ou virtuoses, mas elas poderão ter certeza de que terão colocado seus filhos em contato com essa arte. Não importa se elas tem ou não talento nesse campo, terão proporcionado a seus bebês o gosto pela música e isso os acompanhará pela vida afora.

Como isso se opera no cérebro?

Um mamífero recém-nascido consegue se colocar de pé rapidamente e, depois de alguns passos hesitantes, consegue até correr e pular. Animais são geneticamente programados para tanto, o que é essencial para a sobrevivência das espécies. Seus sistemas motor e cerebral já estão ativados e preparados para funcionar desde o nascimento.

O destino do ser humano, no entanto, é diferente. O feto humano é equipado com um aparato diferente, composto de sistemas sensoriais desenvolvidos e regiões cerebrais geneticamente não programadas que ocupam ao menos 1/3 do cérebro. Seus neurônios estão recebendo informações enquanto se desenvolvem.

“O que é programado no ser humano é a ausência de programação. Esse “vácuo genético” está possivelmente na origem do potencial humano. Essas áreas (desocupadas) se tornam progressivamente “associativas” na medida em que integram as múltiplas experiências que vão sendo registradas e formam uma rede de conexões na qual as habilidades da criança vão gradualmente sendo desenvolvidas.” (Dr. DELASSUS).

O indivíduo em desenvolvimento, todavia, não armazena apenas aquisições sensoriais, ele também codifica em sua memória celular as impressões emocionais recebidas de sua mãe, principalmente, mas também de seu pai e de outras pessoas que o cercam.

(a continuar)

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Veja aqui:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 3)

07/11/2010

(tradução livre de texto de  Marie-Andrée Bertin, fundadora da OMAEP)

O desenvolvimento sensorial do bebê

Os órgãos sensoriais e seus correspondentes centros cerebrais são estabelecidos ao final do período embrionário, em torno do final do terceiro mês de vida intra-uterina. Durante os seis meses seguintes, que correspondem ao período fetal, esses órgãos são desenvolvidos e refinados em suas especializações, de formas diversas, de acordo com a natureza de suas funções e dependendo da qualidade e da intensidade do estímulo recebido.

A visão requer uma luz média para operar. No entanto, quando a mãe expõe a barriga ao sol, nada além de uma leve luz alaranjada alcança o bebê.

Por outro lado, do nascimento em diante, o bebê olha ativamente para o rosto da mãe. O encontro desses olhares é um momento especial, de emoções fortes e profundas, que marca o início de uma nova fase do vínculo entre mãe e filho.

De acordo com Benoît SCHAAL, o sentido do olfato se desenvolve, juntamente com o do paladar, através de um órgão olfativo sencundário especialmente desenvolvido durante a gestação, adaptado para detectar moleculas de odores num ambiente aquatico. Nas palavras da pediatra Marie THIRION: “durante as primeiras horas de vida, o bebê se deparando com a urgente necessidade de encontrar nutrição, busca o cheiro da mãe, mais especificamente o cheiro do leite que exala de seus seios. É sempre fascinante observar um bebê farejando sua mãe, aconchegando-se em seu peito…e reconhecendo o local onde é possível encontrar sua felicidade e subsistência.”

O paladar é densenvolvido dia-a-dia e expressa suas preferências. A cada dia o bebê absorve uma certa quantidade de líquido amniótico. Se uma substância doce é injetada no líquido, o bebê engole uma porção dobrada. No entanto, se uma substância amarga é injetada o bebê engole bem pouco e imagens de ultrassom já mostraram o bebê fazendo caretas.

Através do líquido intra uterino, cujo sabor provém dos alimentos consumidos pela mãe, o bebê já tem contato com os sabores da comida da região onde ele nascerá. Podemos citar o exemplo do pequeno indiano adotado aos três meses por um casal parisiense. Com a introdução da alimentação sólida, o bebê obstinadamente recusava o arroz preparado de acordo com os mais variados métodos ocidentais, mas aceitava arroz com curry, como consumido por sua mãe biológica na India, quando ele estava sendo gerado.

Os sentidos do olfato e do paladar, segundo o Professor Jean-Pierre RELIER, constituem um dos aspectos fundamentais da relação entre mãe e bebê durante a gestação. Eles permitem ao recém nascido recriar o ambiente sensorial e emocional com facilidade, a partir da identificação do cheiro exalado pela pele da mãe e do sabor do leite materno. Por essa razão, o contato pele-a-pele nos primeiros minutos de vida fora do útero é tão importante.

Os sentidos que têm sido mais estudados são o tato e a audição.

O tato tem relação com a pele como um todo, e no caso da pele do bebê no útero, ela é continuamente estimulada pelo músculo uterino e pela parede abdominal. O holandês Frans VELDMAN desenvolveu a haptonomia, método de comunicação emocional que utiliza o sentido do tato, através da parede abdominal, para que a mãe e, especialmente o pai, aprofundem a relação com o bebê que está dentro do útero. São grandes os benefícios percebidos com esse método no momento do nascimento, quando esses vínculos são então reforçados.

Revelações maravilhosas têm surgido em relação ao sentido da audição, conhecido por civilizações antigas como sendo o sentido da sabedoria. A noite, o útero está longe de ser um ambiente silencioso. Microfones introduzidos no útero materno capturaram o som do sistema digestivo, com sons ininterruptos ao fundo, da respiração às batidas do coração materno. A voz da mãe emerge sobre os demais sons, como uma melodia.

Barulhos e sons externos dificilmente passam pela barreira da parede abdominal: eles são transferidos para o bebê através do sistema auditivo materno, seus órgãos de ressonância e estrutura óssea: crânio, coluna vertebral, pélvis. É assim com a voz do pai, especialmente quando a mãe o escuta com afeto, e a música que ela ouve com atenção.

Mas o que o bebê assimila disso tudo?

O ouvido interno, responsável pela seleção e transmissão dos sons ao cérebro, está maduro em torno do quinto mês de gestação. Jean FEIJOO obteve respostas motoras e cardíacas significativas desse estágio da gestação em diante, como reação aos estímulos produzidos pelo som da flauta da história Pedro e o Lobo, direcionados ao abdomen da mãe. A mãe estava relaxada, ouvindo música suave através de fones de ouvido, de modo que não pudesse ouvir o som da flauta. A reação do bebê definitivamente foi independente da reação da mãe.

Dr. TOMATIS, no entanto, mostrou que o bebê percebe sons muito antes que seus ouvidos comecem a funcionar. Ele conta a história da pequena Odile, autista, que respondia ao tratamento a que era submetida de forma mais positiva sempre que com ela era falado em inglês. Aparentemente não havia razão para isso, mas o mistério foi solucionado quando sua mãe lembrou que, no início de sua gestação, em período anterior à maturação do ouvido de Odile, ela havia trabalhado para uma empresa de comércio exterior onde se comunicava apenas em inglês. Obviamente Odile não entendia inglês, mas podia perceber e codificar o ritmo, a melodia e a frequência dessa língua, que vibra a 12.000Hz, enquanto o francês se estabiliza num nível de 8.000Hz. Ela reteve a sensação de segurança relativa a um período anterior à origem de seu autismo.

De fato, o ser em desenvolvimento, do período embrionário em diante, recebe vibrações sonoras por meio de células receptoras em sua pele, músculos e articulações. Por outro lado, quando o ouvido começa a funcionar, ele filtra os sons e recebe apenas os mais altos. Trata-se de um mecanismo essencial de proteção contra os sons internos do organismo materno, que são intermitentes. Sem isso o bebê no útero jamais dormiria.

Marie-louise AUCHER, coach vocal, fez interessantes descobertas sobre as famílias de seus pacientes, cantores profisisonais que praticavam em casa diariamente. Mães sopranos davam à luz a bebês com a parte superior do corpo extremamente bem desenvolvida. Eram capazes de segurar objetos muito cedo, aproximando seus polegares dos outros dedos, o que é sinal de uma excelente coordenação motora. Por outro lado, bebês de pais baixo profondo apresentavam a parte inferior do corpo mais desenvolvida. Crianças que andavam cedo e que – o que é ainda mais interessante – quando adultas tendiam a gostar muito de caminhar.

Para compreender esse fenômeno, Mari-Louise AUCHER trabalhou em várias universidades parisienses e hospitais, com professores das mais diversas disciplinas. Juntos eles se surpreenderam ao identificar o impacto dos sons da escala musical sobre o vaso governador, meridiano energético bem conhecido por acupunturistas.

Outros estudos mostram que cada som produz ressonância vibratória em uma vértebra, um par de gânglios simpáticos e sistema parassimpático. Quando algum desses pontos de energia, ou centros nervosos, é estimulado, em contrapartida estimula a região correspondente e o sistema nervoso como um todo, incluindo o cérebro, é dinamizado. Segundo Dr. TOMATIS, o ouvido é um dínamo para o cérebro.

(a continuar)

O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 2)

25/10/2010

(tradução livre de texto de  Marie-Andrée Bertin, fundadora da OMAEP)

Quando uma criança nasce ela já tem nove meses de experiência de vida, e essa experiência  já moldou amplamente o que será sua personalidade no futuro.

Essa informação, recentemente revelada através de pesquisas científicas, na realidade já é conhecida há milhares de anos e esteve sempre presente e pronta para vir à tona na consciência intuitiva feminina. E agora, cada vez mais, homens vêm se envolvendo nesse processo.

A importância do período pré-natal já era conhecida nas antigas civilizações. Há registros de que egípcios, povos indígenas da Ásia e da América, celtas, africanos e muitas outras sociedades adotavam regras relativas à forma como mães, casais e a sociedade em geral deveriam se comportar em relação à criação das crianças, de forma que a elas fossem fornecidas as melhores condições possíveis.

Também existem registros de que há 1000 anos os chineses criaram centros pré-natais onde gestantes pudessem ficar, para aguardar o nascimento de seus bebês, num ambiente sereno e belo.

Em países do ocidente, no início do século XX, gestantes ainda eram protegidas e, por sua vez, protegiam seus bebês. No vilarejo em Haute-Saône, onde eu cresci, se um circo lá chegasse, a gestantes não era permitido assistir ao show em virtude do risco a que seriam expostas – era sabido que qualquer trauma sofrido por uma gestante também afeta seu bebê.

Mas poucos anos depois as sociedades industriais começaram a focar sua atenção na corrida por melhores performances no campo tecnológico, econômico e financeiro, e se esqueceram de aspectos vitais para uma sociedade.

A vida, no entanto, está clamando por atenção. Com uma certa ironia, já que foi o progresso tecnológico que nos permitiu redescobrir, com base em evidências científicas, elementos essenciais a respeito da vida pré-natal (não nos referimos às superstições que ganharam popularidade ao longo da história).

De fato, atualmente, estudos científicos desenvolvidos em diferentes áreas de conhecimento estão convergindo para a importância da educação pré-natal como um processo, em sua essência, natural.

As Associações para Educação Pré-Natal pretendem facilitar o acesso às pesquisas científicas, de forma que essas informações sejam assimiladas naturalmente à vida cotidiana de futuros pais. Elas estão compilando estudos multi-disciplinares atuais, de forma que um corpo de evidências científicas consistentes sejam divulgados amplamente. Quando recebido dentro de um contexto, esse conhecimento começa a fazer sentido, oferecendo um código de conduta que sirva ao ser em formação e a seus pais.

Há duas principais áreas de pesquisa emergentes:

– estudos sobre o desenvolvimento sensorial do feto, sob uma ótica multi-disciplinar. Desenvolvidos em geral por franceses, mas com utilização de algumas pesquisas norte-americanas.

– observação do estado emocional do bebê dentro do útero por médicos, psicólogos e psiquiatras de diversos países.

Nós então falaremos sobre as teorias explanatórias que vêm sendo desenvolvidas em conexão com o registro celular de informações de acordo com a física quântica e a teoria morfogenética ou de campos bióticos.

Veremos também que, como consequência desse trabalho, médicos estão refinando sua prática. E futuros pais, por sua vez, têm oportunidade de proporcionar a suas crianças grandes benefícios ao assimilar esse conhecimento e adotar naturalmente uma filosofia de vida e rotina com ele condizentes.

(a continuar)

O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 1)

31/05/2010

(tradução livre de texto de  Marie-Andrée Bertin, fundadora da OMAEP)

Nós hoje sabemos que cada estágio de nossas vidas exerce influência sobre o estágio subsequente. Psiquiatras já demonstraram, e todos já tivemos oportunidade de observar isso em nossas vidas e nas vidas dos que nos cercam.

Esse fato hoje óbvio é resultado de um longo processo de desenvolvimento.

Durante a primeira metade do século XX, avanços no estudo de padrões de comportamento profundamente enraizado revelaram a influência de experiências emocionais da primeira infância e sua repercussão na forma como um indivíduo se comporta.

Por exemplo, se um bloqueio emocional tem sua origem nessa fase da vida de alguém, as consequências podem ser para a vida toda, a não ser que um psicoterapeuta seja capaz de ajudar seu paciente a acessar e resolver a questão pertinente e assim remover o bloqueio, ou que circunstâncias extremamente favoráveis, como um casamento muito feliz ou sucesso profissional, permitam que aspectos relativos à questão sejam vivenciados pela pessoa de forma positiva. Assim, novas forças entram em ação para ajudar essa pessoa a superar esse bloqueio e finalmente liberar as forças vitais que estavam obstruídas desde a infância.

Por outro lado, se uma criança pequena recebe amor suficiente, e é reconhecida como um ser humano com valor inerente a essa condição, se seu desenvolvimento caminha de forma natural e gradual em direção a independência, são grandes as chances de que ela se torne um adolescente e um adulto equilibrado, sereno, feliz e confiante em si próprio, nos outros e na vida. Se ele tiver liberdade de viver e expressar sua essência, então se tornará uma pessoa estável, aberta e criativa.

Nos anos 1970 novos avanços se deram quando obstetras como Frédéric Leboyer e Michel Odent, e psicanalistas e psiquiatras em todo o mundo, chamaram atenção para a grande jornada do nascimento e a qualidade da forma como um novo ser chega a esse mundo, e para o fato de serem capazes de produzir profundas marcas na psique. Eles acreditam que 90% de nossos medos tenham origem nos momentos que cercam nosso nascimento, sendo essa etapa, portanto, determinante para nosso comportamento na infância, na adolescência e na vida adulta.

Passamos então a examinar as evidências para sugerir que período pré-natal seja considerado como um dos estágios que tem poder de influenciar a vida futura do “novo indivíduo”.

Com base nessas idéias, um embrião ou feto poderia ser influenciado ou educado?  Que efeitos isso teria a longo prazo?

Que tipo de educação é essa? Podemos criar regras e programar o desenvolvimento de um ser humano? Obviamente não. Regras e programações têm a ver com instrução, não com educação.

O propósito da instrução é transferir conhecimento e experiência. Ela se baseia em métodos de aprendizado.

Educação, por sua vez, tem por fim facilitar o despertar de faculdades que estão latentes em um indivíduo, e envolve aspectos físicos, emocionais, intelectuais, morais e espirituais.

Assim, educação pode ser definida como “a implementação de métodos que permitam que um ser humano se forme e se desenvolva”. De fato uma pessoa é capaz de educar a si própria, isto é, ela é capaz de se modelar e se desenvolver a partir do movimento de forças vitais que existem dentro dela. Ela consegue isso através de elementos físicos, emocionais e mentais que lhe são fornecidos pelos que estão ao seu redor e pelo seu ambiente.

Numa criança, educação envolve três processos essenciais: impregnação, imitação e experimentação. Obviamente não há experimentação para um bebê no útero, e provavelmente também não há imitação. As oportunidades para impregnação, no entanto, são amplas. Esse é o estágio em que nossas células começam a ser programadas. Experiência de vida certamente deixa marcas, mas essas marcas apenas se sobrepõem à base que já foi formada. Isso mostra a importância dessa impregnação inicial e das bases que se formam nesse estágio inicial do desenvolvimento humano.

A educação pré-natal, portanto, não é uma invenção nem uma ideologia criada por alguém. É, sim, a combinação de todos os processos naturais envolvidos, não importando que tenhamos ou não consciência deles, nem que deles gostemos ou não.

Nossa sugestão é de que esses achados sejam difundidos, de modo que futuros pais, com conhecimento desses fatos, tenham liberdade e oportunidade para prover ao embrião, e depois ao feto, as melhores bases e condições para seu desenvolvimento, respeitando seu processo natural e sua dinâmica própria, de forma a facilitar o desenvolvimento dos potenciais e qualidades contidas desde o início de sua formação.

Nós costumamos ser questionados sobre a quem diz respeito a educação pré-natal: mãe ou criança? E a resposta é: a ambos. Porque a simbiose entre eles é tamanha que tudo que a mãe vivenciar a criança vivenciará com ela. A mãe, como primeiro universo do novo ser, representa matéria prima física e psicológica para ele. Ela é também sua intermediária com o mundo. A criança no útero não pode experimentar o mundo diretamente, mas o faz através das sensações, sentimentos pensamentos da mãe, em sua interação com o mundo. No desenvolvimento de sua psique, em seus tecidos e em sua memória orgânica, o novo ser em formação registra essas experiências compartilhadas, que darão o tom de sua personalidade.

(a continuar…)