Archive for the ‘livros’ Category

O que aprendemos antes de nascer?

20/02/2013

Confiram a palestra de Annie Murphy Paul, autora do livro Origins, no TEDtalk Edinburgh em julho/2011:

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Agenda Rio de Janeiro

26/06/2012

Encontros La Leche League Rio de Janeiro

Nessa 4a feira, 27/6, reunião no Leblon: Rua Humberto de Campos, 315 (entre a Defensoria Pública e a 14ª DP), Espaço da Mulher, em novo horário: de 17:30 a 19:30.
No sábado 30/6, novo grupo, em Copacabana: Rua 5 de julho, 94, play, de 10:00 a 12:00.
Apareçam, mães que estão amamentando, que já amamentaram e vão amamentar (grávidas), tragam o bebê, o futuro pai, vamos compartilhar, vamos nos informar…

Lançamento de “Entre as Orelhas – Histórias de Parto” no Rio

PALESTRA E LANÇAMENTO do livro “Entre as Orelhas – Histórias de Parto” de Ricardo Herbert Jones (Ginecologista e Obstetra Humanista)
Dia 30 de JUNHO às 18H.
LOCAL: Praia do Flamengo 66 – Auditório Térreo. Rio de Janeiro- Rj
Palestra: R$20,00

INSCRIÇÕES ANTECIPADAS/ RESERVA DOS LIVROS E INFORMAÇÕES (VAGAS LIMITADAS)
lancamentoentreasorelhasrj@gmail.com
Isabele Assemen – 75376556
Paula Ceci Villça – 86031925

2@Vermelha – Edição 2011

02/05/2011

“A potencialidade do corpo feminino como menstruante e parturiente desde sempre despertou assombro e temor. Através da menstruação, a mulher se conecta diretamente com o poder da vida, esse poder que é partilhado e mutante, que é temporário e cíclico. Que não teme a morte, porque sempre renova a vida.”

(Monika Von Koss, Rubra Força)

Hoje acontece mais uma edição da 2@ Vermelha. Convidamos todas as mulheres a celebrar como for possível, quer seja escolhendo uma peça de roupa vermelha para usar hoje, quer seja apenas refletindo sobre a importância do respeito ao ciclo de cada uma de nós em nossas vidas tão corridas!

Em todo Brasil é possível participar da ação organizada pelo Clã dos Ciclos Sagrados, Sabrina Alves, Danielle Sales e Bia Fioretti, e quem está em São Paulo tem ainda a oportunidade de participar do evento com palestras e mesa redonda a partir das 17h no Instituto Naradeva Shala, que fica próximo ao SESC Pompéia. Haverá transmissão via internet. Mais detalhes aqui.

A ANEP Brasil apoia essa iniciativa tão importante, e celebra convidando a quem nos visita a ler (ou reler) o artigo “De Mãe Para Filha”, que fala sobre um de nossos projetos, que visa justamente proporcionar a meninas entrando na menarca uma bela vivência para celebrar o inicio de seu ciclo.

Aproveitamos também para mais uma vez recomendar o excelente documentário espanhol “The Moon Inside You”, que aborda o tabu que representa a menstruação nos dias de hoje. Quem tiver interesse em adquirir o DVD deve contactar:

Jerónimo Molero
jero.molero@ubak.eu
Ubak Producciones
Guindos 28, Madrid 28029. Spain
Dir.tel: +34 91 8278907
Mob:  +34 607 753193

Por fim, indicamos a leitura do livro Rubra Força, de Monika Von Koss, que será uma da palestrantes no evento que acontecerá hoje em São Paulo.

Uma excelente 2@ Vermelha a todos!

Atenção ao Nascimento Normal – Guia Prático – Classificação de Condutas

26/04/2011

Care in Normal Birth – Practical Guide. Íntegra da publicação em inglês aqui.

* Recomendações do grupo de trabalho da Organização Mundial de Saúde (OMS), Unidade de Saúde Materno Infantil, Segurança maternal, Saúde Familiar e Reprodutiva. Genebra, 1997. Baseadas em evidencias científicas obtidas através de pesquisas feitas no mundo todo.

CATEGORIA A:

PRÁTICAS DEMONSTRADAMENTE ÚTEIS E QUE DEVEM SER ESTIMULADAS:

 · Plano individual determinando onde e por quem o nascimento será realizado, feito em conjunto com a mulher durante a gestação e comunicado a seu marido/companheiro e, se aplicável, a sua família;

· Avaliação do risco gestacional durante o pré-natal, reavaliado a cada contato com o sistema de saúde e no momento do primeiro contato com o prestador de serviços durante o trabalho de parto, e ao longo deste último;

· Monitoramento do bem-estar físico e emocional da mulher durante trabalho e parto e ao término do processo de nascimento;

· Oferta de líquidos por via oral durante o trabalho de parto e parto;

· Respeito à escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações;

· Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante;

· Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto;

· Apoio empático pelos prestadores de serviço durante o trabalho de parto e parto;

· Respeito à escolha da mulher sobre seus acompanhantes durante o trabalho de parto e parto;

· Fornecimento às mulheres sobre todas as informações e explicações que desejarem;

· Métodos não invasivos e não farmacológicos de alívio da dor, como massagem e técnicas de relaxamento, durante o trabalho de parto;

· Monitoramento fetal por meio de ausculta intermitente;

· Uso de materiais descartáveis apenas uma vez e descontaminação adequada de materiais reutilizáveis, durante todo o trabalho de parto e parto;

· Uso de luvas no exame vaginal, durante o parto do bebê e no manuseio da placenta;

· Liberdade de posição e movimento durante o trabalho de parto;

· Estímulo a posições não supinas durante o trabalho de parto;

· Monitoramento cuidadoso do progresso do parto, por exemplo por meio do uso do partograma da OMS;

· Administração profilática de ocitocina no terceiro estágio do parto em mulheres com risco de hemorragia no pós-parto, ou que correm perigo em conseqüência da perda de até uma pequena quantidade de sangue;

· Condições estéreis ao cortar o cordão;

· Prevenção da hipotermia do bebê;

· Contato cutâneo direto precoce entre mãe e filho e apoio ao início da amamentação na primeira hora após o parto, segundo as diretrizes da OMS sobre aleitamento materno;

· Exame rotineiro da placenta e membranas ovulares;

 CATEGORIA B:

PRÁTICAS CLARAMENTE PREJUDICIAIS OU INEFICAZES E QUE DEVEM SER ELIMINADAS:

· Uso rotineiro de enema;

· Uso rotineiro de tricotomia;

· Infusão intravenosa de rotina no trabalho de parto;

· Cateterização venosa profilática de rotina;

· Uso rotineiro de posição supina (decúbito dorsal) durante o trabalho de parto;

· Exame retal;

· Uso de pelvimetria por Raios-X;

· Administração de ocitócitos em qualquer momento antes do parto de um modo que não permite controlar seus efeitos;

· Uso de rotina da posição de litotomia com ou sem estribos durante o trabalho de parto;

· Esforço de puxo prolongados e dirigidos (manobra de Valsalva) durante o 2º estágio do trabalho de parto;

· Massagem e distensão do períneo durante o 2º estágio do trabalho de parto;

· Uso de comprimidos orais de ergometrina no 3º estágio do trabalho de parto, com o objetivo de evitar ou controlar hemorragias;

· Uso rotineiro de ergometrina parenteral no 3º estágio do trabalho de parto;

· Lavagem uterina rotineira após o parto;

· Revisão uterina (exploração manual) rotineira após o parto;

CATEGORIA C:

PRÁTICAS EM RELAÇÃO AS QUAIS NÃO EXISTEM EVIDÊNCIAS SUFICIENTES PARA APOIAR UMA RECOMENDAÇÃO CLARA E QUE DEVEM SER UTILIZADAS COM CAUTELA ATÉ QUE MAIS PESQUISAS ESCLAREÇAM A QUESTÃO:

 · Métodos não farmacológicos de alívio de dor durante o trabalho parto, como ervas, imersão em águas e estimulação dos nervos;

· Amniotomia precoce de rotina no primeiro estágio do trabalho de parto;

· Pressão do fundo durante o trabalho de parto;

· Manobras relacionadas à proteção do períneo e ao manejo do pólo cefálico no momento do parto;

· Manipulação ativa do feto no momento do parto;

· Uso rotineiro de ocitocina de rotina, tração controlada do cordão, ou sua combinação durante o 3º estágio do trabalho de parto;

· Clampeamento precoce do cordão umbilical;

· Estimulação do mamilo para estimular as contratilidades uterina durante o 3º estágio do trabalho de parto.

CATEGORIA D:

PRÁTICAS FREQUENTEMENTE USADAS DE MODO INADEQUADO:

 · Restrição hídrica e alimentar durante o trabalho de parto;

· Controle da dor por agentes sistêmicos;

· Controle da dor por analgesia peridural;

· Monitoramento eletrônico fetal;

· Uso de máscaras e aventais estéreis durante a assistência ao trabalho de parto;

· exames vaginais repetidos ou freqüentes, especialmente por mais de um prestador de serviço;

· Correção da dinâmica com utilização de ocitocina;

· Transferência rotineira da parturiente para outra sala no início do segundo estágio do trabalho de parto;

· Cateterização da bexiga;

· Estímulo para o puxo quando se diagnostica dilatação cervical completa ou quase completa, antes que a mulher sinta o puxo involuntário;

· Adesão rígida a uma duração estipulada do 2º estágio do trabalho de parto, como por exemplo uma hora, se as condições da mãe e do feto forem boas e se houver progressão do trabalho de parto;

· Parto operatório;

· Uso liberal e rotineiro de episiotomia;

· Exploração manual do útero após o parto.

Curtinhas

23/04/2011

Acontecerá no próximo dia 5 de maio, em Brasília, a Marcha das Parteiras de Brasília.

O objetivo desse movimento é chamar a atenção de autoridades públicas e sociedade para a integração efetiva da profissional Parteira (tradicional e diplomada) na assistência básica à saúde materno infantil, contribuindo assim para a redução da mortalidade materna e neonatal, da violência obstétrica e das vergonhosas taxas de cesarianas brasileiras. Concentração a partir das 9h, em frente ao Ministério da Saúde.

*arte: Bia Fioretti

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No dia 4 de maio, em São Paulo, acontecerá o lançamento do livro Parto com Amor, de Luciana Benatti e Marcelo Min. O livro traz relatos da trajetória percorrida por nove mães para conseguir o parto desejado. À partir de 18: 30h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista 2073).

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Em outubro/2011 acontecerá, na Alemanha, a “Midwifery Today Conference – Preserving Our Traditions, Improving Our Skills”, que contará com grandes nomes internacionais do movimento do parto humanizado.

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Já estão abertas as inscrições para a “Mid-Pacific Conference on Birth and Primal Health Research” que acontecerá em 2012, de 26 a 28 de outubro, em Honolulu, no Havaí. Até 31 de maio de 2011, inscrições com desconto.

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“As obstetrizes são as guardiãs do parto”

(Janet Balaskas)

*foto Bia Fioretti

Janet Balaskas encerrou seu ciclo de oficinas e conferências no Brasil deixando saudades. O Blog Parto no Brasil compartilhou impressões sobre a Formação Profissional em Parto Ativo que aconteceu em Curitiba, e Bia Fioretti, no Blog Mães da Pátria, contou como foi o evento com Balaskas em São Paulo, na semana passada.

Livro: A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, Laura Gutman

09/03/2011

Um livro profundo e abrangente sobre a maternidade. Pra mães, futuras mães, pais, famílias e profissionais que em sua atuação tem a maternidade e suas nuances como objeto.

Divulgando lançamento: Diário da Gestante, de Fadynha

26/02/2011

Fadynha está lançando seu novo livro, no formato de “journal”, O Diário da Gestante.

Além de servir como registro de um momento tão importante, o livro conta com informações preciosas para as gestantes, com base nas orientações da OMS e em práticas de humanização.

O evento de lançamento, no dia 20 de março, domingo, às 16:30h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, contará com uma mesa redonda da qual participarão Carla Machado, presidente da ANEP Brasil, e Laura Uplinger. Imperdível!

Quando iniciar a educação pré-natal – projeto “De mãe para filha”

29/04/2010

Por Carla Machado

Qual seria o momento mais adequado para iniciar a educação pré natal? Essa pergunta tem um círculo como resposta, pois toda vez que começamos a respondê-la, vem à mente “mas por que não antes disso?” Bem, de fato, a primeira educação que recebemos acerca do período pré natal é quando somos concebidos, quando temos nossa experiência intra-útero, quando estamos sendo gestados e quando nascemos. A própria vivência é a melhor e mais efetiva forma de aprendizado – nada a substitui. O que foi vivido de bom e de ruim fica arquivado na memória celular de forma quase indelével.

Então pensamos: pra que este período seja bom temos que educar os futuros pais! E quando começar a educar esses pais? Antes da concepção, pra que esses pais já se conscientizem da importância deste momento, que é quando se “pesca” o espírito que irá encarnar. Pensando assim, em 2005, divulguei, junto com a Dra. Eleanor Madruga Luzes, um curso preparatório para casais que iriam um dia conceber (chamava-se “Crescer para se multiplicar”). Não houve sequer uma inscrição ou mesmo pedido de informações. Parece que os casais esperam a gravidez para então se informar, pois “vai que a gente não engravida, e iríamos ficar frustrados com todo esse conhecimento sem aplicação prática!”. Os casais tendem a vir quando já estão gestando uma criança, o que para a consciência da concepção já é tarde demais (exceto para aqueles que o fazem intuitivamente, o que é raro). Nos casos da educação durante o período gestacional, quem mais se beneficia são os futuros filhos do casal. E nos faz refletir se, já que antes da concepção, um casal não procura educação pré natal, temos que começar antes ainda.

Em sua tese de doutorado, Ciência do Início da Vida, Dra. Eleanor fala que deveríamos aproveitar o momento da adolescência, que é um dos picos do hormônio ocitocina no organismo, o hormônio do enamoramento, presente em altas doses na corrente sanguínea no nascimento e nas mulheres quando dão à luz. Desta forma, este momento é excelente para trazer os conhecimentos que cercam o período do nascimento, dando aos jovens uma chave de como trazer ao planeta o “homo sapiens frater”, ou seja, o novo ser humano, capaz da fraternidade. Nas escolas públicas a passagem deste conhecimento tem tido boa aceitação, eles o recebem como uma benção, pois é algo do mundo interno, que não necessita de poder aquisitivo para conquistar e está, portanto à altura de todos. Porém, no ensino particular, quando falamos da importância de uma gestação consciente, com poucas intervenções como exames invasivos, excesso de ultra-som, ou mesmo quando explicamos cientificamente as conseqüências do uso indiscriminado de anestésicos e dos males das cesarianas eletivas, os pais se sentem culpados e reclamam com a escola por estar trazendo tal conhecimento “que os condena”, a seus filhos.   Então quem sabe haja ainda um momento anterior, com a presença e conscientização destes pais?

Como minha filha está cursando o 6º ano e em sua classe várias meninas começam a menstruar – elas tem entre 11 e 13 anos – nós da ANEP, junto com a professora de classe que abriu este maravilhoso espaço de troca com as famílias, criamos um singelo projeto para preparar o terreno junto a estas mocinhas, ainda tão delicadas e puras, para que este conhecimento, quando elucidado, fertilize o solo preparado e possa ser usado de forma iniciática quando for o tempo de colocá-lo em prática.

A idéia é trabalhar dentro da relação mãe-filha – sem dúvida para a maioria das meninas, o laço mais forte que possuem, eixo pelo qual passa toda a sua relação com a ancestralidade do feminino – fortalecendo-o. Reforçamos este laço quando a mãe entrega, ritualmente, algo para a filha, para que esta se aproprie um pouco mais de seu próprio feminino. Esta entrega é feita sob a forma de uma  benção, que  é a própria intuição feminina. A intuição precisa se tornar cada vez mais presente para que a menina possa fazer escolhas mais acertadas principalmente no que diz respeito à própria sexualidade. (Não é desconhecimento de ninguém o quanto a gravidez adolescente já se tornou um problema social, mesmo nas camadas de maior poder aquisitivo e a educação pré-natal tem como resultado positivo a nível mundial a redução deste índice.)

Primeira Etapa: Preparando as Mães

O projeto “de mãe para filha“ se compõe então de duas etapas: a primeira com as mães, onde explicamos para elas a importância deste momento tão belo e trazemos, para ilustrar isso, um conto de fadas. Neste conto, a mãe, em seu leito de morte, abençoa a filha e dá para ela um presente que irá guiá-la por difíceis caminhos que ela terá que trilhar a partir daí (intuição). Trazemos também a explicação da importância do sangue menstrual, que este pode e deve ser consagrado aos seres de luz, pois todo fluido corporal nosso que não é consagrado fica à disposição dos mais variados tipos de entidades astrais; já a luz só se serve ao ser convidada, portanto trazer à consciência a importância deste convite. A não consagração deste sangue, e sua conseqüente utilização por seres indesejáveis, deixa a mulher com forte sensação de cansaço. Por essa razão, Moisés mandava que isolassem a mulher menstruada por estar “impura”, mas a impureza não vinha dela, e sim desses seres de baixa consciência que a acompanhavam durante o período menstrual. (vide o livro “Sons and daughters of light” de Omraam Michael Aivanhov) consciência desse convite aos seres de luz, e da consagração deste sangue, que sai junto com o óvulo não concebido, já vai ficar marcada para ser bem utilizada quando da gestação, fase na qual a impregnação que se dá através da imaginação ajuda a fortalecer e selecionar os melhores gens da cadeia genética do bebê.

O sangue da menarca, a primeira menstruação, é muito importante e pode ser também recolhido e derramado no jardim da casa, servindo já como uma delimitação de território psíquico (e físico) para esta nova mulher que está nascendo. Podemos sugerir presentes que a mãe possa dar para a filha para aumentar a ligação com o sangue, veículo da alma. Uma sugestão é o Abiosorvente que é um absorvente feito de flanela de algodão, sem química, fácil de lavar se seguirmos as instruções. Este depois pode se tornar um ritual mensal na vida da mulher adulta. Há uma estória que diz que quando as mulheres pararam de menstruar na terra, as guerras se acirraram, pois a terra precisa de sangue para se fertilizar. Que seja então, o sangue menstrual, que irá ser derramado de uma forma ou de outra – quer dizer, se a sociedade deixar, haja visto os métodos contraceptivos que bloqueiam a menstruação, chamando-a de “sangria inútil” ignorando não só a importância dos ciclos, quanto a poderosa LIMPEZA das toxinas físicas e psíquicas, que é feita com o derramamento do sangue menstrual.

Só que não há apenas o sangue, para que este chegue, houve antes uma ovulação (que Monika Von Koss, no seu livro “Rubra Força”, chama de fio branco, mais imperceptível, em contraponto ao fio vermelho da menstruação). Ambos nos ligam à Terra. Aqui podemos já trazer a sugestão de associar a ovulação a algum projeto criativo, algo que se queira fertilizar, acostumando assim a jovem a ter percepção do próprio corpo (de quando está ovulando), como também a conceber algo com consciência. Quando ela for conceber uma criança, muito mais fácil que esta venha dentro de uma escolha da alma e não como um acidente…

A mãe pode também confeccionar para a filha um calendário de luas. Para isso ela própria pode se conectar com a lua, passar a observá-la, reconectando-se com a própria ancestralidade, para poder trazer este saber “mensual” para a filha. A maioria das tribos nativas utiliza rituais de lua cheia para curar problemas ginecológicos e distúrbios da fertilidade em suas mulheres. Com esse calendário, perceber que se a mulher ovula na lua cheia, vai menstruar na lua nova, e assim por diante. Parece óbvio, mas muitas mulheres não receberam nenhuma instrução sobre o assunto.

Segunda Etapa: Encontro de mães e filhas

Este mesmo conto é trazido na segunda etapa, que terá a participação de mães e filhas. Neste dia aproveitamos para trabalhar com artes, sendo que muito pouco ou quase nada do significado oculto no conto ou nos trabalhos de artes é passado para as meninas. Este conhecimento está presente, sim, na consciência das mulheres adultas que estão passando sua benção para as meninas.

É importante frisar que não faremos alusão direta à menstruação nesta fase (11-12 anos), pois muitas ainda não tiveram a menarca e um ritual, só para meninas, que distinguisse as que menstruaram das que ainda não, poderia acelerar as que ainda não chegaram nesta etapa. Porém, é importante que todas recebam a benção das mães, pois nesta idade elas começam a se sentir como que “perdendo” algo da infância, que vai ficando cada vez mais para trás. Precisamos colocar algo neste lugar, algo de valor, algo que as acompanhe daqui para frente, honrando as mulheres que elas um dia serão. É esta lacuna que o encontro “de mãe para filha” vem preencher. É um dia inteiro para as mães se ocuparem das filhas, de darem a elas seu melhor, para que depois não se queixem, como no artigo de Affonso Romano de Sant´Anna, “Antes que eles cresçam”, que versa sobre o fato das crianças crescerem rápido demais quando nem ao menos pudemos perceber suas mudanças. Este encontro é uma pausa no corre-corre do dia-a-dia para olharmos para nossas crias e perceberemos como elas já cresceram, mas como ainda precisam de um adulto por perto, presente e de olho nas transformações que se passam com elas, com entendimento do “algo maior” por trás das transformações físicas.

Mais tarde, quando menstruarem, pode-se fazer um ritual mais específico. Os povos antigos têm muitas sugestões.  Veja como demanda preparação este ritual apache, onde a menina recebe também a sabedoria das plantas medicinais para saber como cuidar de sua futura família.

No livro “Celebrações”, de Tereza Hallidday, ela sugere o traçado de três círculos no chão, num espaço com todas as anciãs, mulheres e meninas “da tribo”. Em um círculo ficam as que ainda não menstruaram, em outro, as que estão em idade de procriação e um terceiro para as que já passaram pela menopausa, as sábias da tribo. Este ritual dá uma dimensão do ciclo que é a vida e como tudo fica bem quando cada uma ocupa seu espaço. No decorrer do rito, as meninas que menstruaram naquele mês passam para o círculo seguinte e as que entraram menopausa também trocam de círculo.

Os rituais nos ajudam a passar melhor pelas fases da vida, sejam elas quais forem, e a digerir o acontecimento no seu tempo, para que não fiquem pendências posteriores, o que sempre atrapalha a possibilidade de viver o presente que é a vida.

E os meninos??

Talvez ainda mais importante do que educar as meninas, seja fazer desses meninos bons homens, bons pais. Há para isso muitas sugestões de rituais com os meninos, para que estes possam começar a ocupar seu lugar de homem, trazendo a força do mundo masculino, a energia do herói. Eles também podem e devem receber o bastão de seus pais, numa experiência em que seja necessária força e coragem – o agir com o coração. Para trazer pais mais conscientes ao invés de tão “filhotes”, educados na maioria, apenas por mães.

Com a qualidade de nascimento que tivemos nas últimas décadas, cesarianas eletivas (geralmente em prol do calendário médico-hospitalar) que retiram o bebê antes dele estar pronto para sair, esquema de encubadora ou berçário, que separa a mãe do filho nas mais cruciais 2 horas de vida, que são as 2 horas do pico de oxitocina, de formação do vínculo, depois a creche, aos 4 meses de idade, que leva a criança à sensação de abandono – e o menino é quem mais sofre, pois ele não consegue internalizar o cuidado como a menina consegue fazer – não é de se estranhar que os meninos tenham muita dificuldade de estabelecer vínculos e tenham até um sentimento inconsciente de vingança com relação às mulheres – que no fundo se dirige à própria mãe. A famosa geração do “fica”, chegam a ficar com 10, 20 numa única noite e assim, não saem da infância nunca. Precisamos ajudá-los, ainda que não haja a possibilidade da presença do pai, trazer um homem adulto que possa servir de iniciador.

Para os homens já formados que forem trabalhar com os meninos, sugiro a leitura do livro “João de Ferro” de Robert Bly, que fala sobre o difícil papel do homem pós “new age” que ainda não sabe que lugar ocupar junto a um feminino tão emancipado que se diz não precisar de proteção (embora as mulheres continuem sofrendo de solidão e de sensação de desamparo). Os homens ficaram sem entender direito o que se espera deles e ainda não assentaram em algum lugar masculino, não ditador, e que seja confortável.

Sugiro que este trabalho seja trazido por pais e professores sensíveis e abertos a esta fase das crianças e que fiquem conscientes da importância desta etapa na educação pré natal posterior, que é a base sólida para a paz no planeta Terra.

A Neurociência e a Criança de Zero a Três Anos

11/03/2010

Por Sandra Sisla

Estes trechos do trabalho de Iole da Cunha  podem nos elucidar as evidências e percepções que temos a respeito da importância das vivências e experiências, desde a gestação até três anos de idade, na construção e formação do individuo como um todo, com explicação ciêntifica comprovada.
Há muito pouco tempo tanto a medicina quanto a educação tinham concepções limitadas quanto à importância e à magnitude destes três primeiros anos de vida, dando ênfase somente aos cuidados orgânicos e corporais como sendo suficientes para a saúde básica, tanto que só há alguns anos as creches tornaram-se parte responsáveis pela educação e não mais da área da saúde passando a considerar que cuidar também é educar.
É certo que alguns autores e estudiosos vêm ampliando sua compreensão e atenção sobre os bebês especialmente profissionais que lidam com os aspectos afetivos emocionais, porem ainda se encontram concepções bem limitadas ou equivocadas especialmente em ambientes institucionais como escolas na educação infantil, ambulatórios e hospitais/maternidade.

“A NEUROCIÊNCIA E A CRIANÇA DE ZERO A TRÊS ANOS

Quando nasce um bebê, antes mesmo que a mãe o abrace, o olhe ou o toque, já se iniciou neste novo individuo um célere processo de desenvolvimento. Principalmente em seu cérebro. Mas diferentemente da maioria dos seus órgãos, em que novas células se originam da divisão das já existentes, o cérebro cresce graças a modificações dos neurônios já existentes. Como resultado da nova experiência interativa do “organismo bebê” com o “objeto mãe”, iniciado antes do nascimento, os aproximadamente 100 bilhões de neurônios que constituem a base genética do cérebro humano vão se modificar. Para cumprir sua função de se comunicar entre si, permitindo que a informação que vem da experiência viaje de uma parte do cérebro para outra, surgem redes neurais, que se constituirão na estrutura do que será o indivíduo como um todo (self). Esta microestrutura neural, base da macroestrutura do cérebro, gera funções que vão desde a capacidade de regulação homeodinamica, a auto-regulação afetiva, a literacia, a função mental enfim com os sentimentos, a comunicação social até outras mais sofisticadas como a linguagem, o aprendizado, e a possibilidade de elaborar conceitos e buscar soluções.

Enquanto um pai tenta confortar um bebê que chora ou uma mãe conversa com seu filho numa relação “olho-no-olho”, ou enquanto o neto ouve a história que a avó lê, numa questão de segundos, milhares de células do cérebro destas crianças proliferam, se desorganizam, são eliminadas, reorganizadas e organizadas pelo estímulo destas experiências particulares. Formam-se novas conexões, conferindo mais definição e complexidade ao intrincado circuito que poderá permanecer pelo resto da vida e se constituir naquilo que será o adulto.

Mas, estes conhecimentos são recentes. Faz pouco, ficou-se sabendo que o bebê não é uma tabula rasa ou uma massa informe moldável segundo os desejos do adulto. Até bem recentemente, não era acessível e generalizado o conhecimento da enorme atividade e complexidade do cérebro do bebê. Também não se sabia quão flexível o cérebro pode ser! De quinze anos para cá, os neonatologistas, agregando conhecimentos de outras disciplinas, principalmente da neurociência, puderam explicar cientificamente quem eram realmente os bebês sob seus cuidados. Na verdade, os neurocientistas se encarregaram de mostrar que a determinação genética que organiza o cérebro do bebê é importante até 21 semanas de gestação. A partir de então e principalmente com o nascimento (prematuro ou a termo), a epigenética ou seja a experiência vivenciada desde os primeiros momentos, pelos cuidados, têm um impacto tão grande na arquitetura do cérebro, a ponto de se estender às capacidades do futuro adulto.

Os conhecimento trazidos recentemente pelas ciências do cérebro junto a experiência clínica como intensivista em UTIN (Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal) fez desenvolver a pretensão de acreditar que cuidados adequados nos três primeiros anos poderiam fazer a profilaxia e proteger os bebês não nascidos, os recém-nascidos, suas mães e famílias das terríveis conseqüências que ensombrecem os relacionamentos atuais.

(…)

O bebê

Nos últimos anos os avanços da neurociência confirmaram o que os neonatologistas e demais agentes de saúde das UTIN suspeitavam: o bebê não é tabula rasa, mas indivíduo dotado de processos mentais ou mente que emerge de uma estrutura cerebral. Desde 20 a 24 semanas de vida pré-natal, quando se completa a migração neuronal, e o cérebro já tem 100 bilhões de neurônios, o pequeno amnionauta, ou aeronauta se for um prematuro limítrofe, é capaz de perceber a sua circunstância, o ambiente que o cerca, e formar proto-representações decorrentes das experiências e emoções que esculpirão os mágicos caminhos do seu cérebro em desenvolvimento e formarão seu self.

A neuro-embriologia define o córtex límbico órbito pré-frontal como a matrix da mente de zero a três anos, ou seja desde o limite da prematuridade, pois o bebê zero é o recém-nascido, quer seja prematuro extremo ou a termo. É um período de imaturidade anatômica, mas de maturidade funcional tanto maior quanto mais prematuro for o bebê. Sua função mental é definida pela habilidade de categorização perceptual, que permite ao bebê a inscrição de sensações de afetos positivos, que lhe determina sentimentos de segurança e acolhimento. Ou de afetos negativos determinando insegurança e desamparo. São os dois modos de perceber o mundo neste período inicial, e se estes registros forem contínuos e suficientemente fortes, eles têm grande chance de esculpir circuitos neurais duradouros podendo interferir no desenvolvimento e na aquisição das habilidades cognitivas. Nesse período do desenvolvimento, os órgãos dos sentidos são especificamente maduros, para conferir ao bebê uma fina e específica somatosensorialidade, e enviar os estímulos até o córtex das emoções no sistema límbico órbito frontal, gerando proliferação das terminações sinápticas e graças principalmente ao hipocampo e amigdala, arquivar as memórias destas vivências e criar seu conteúdo emocional. Aos três anos, começa a madurecer um novo processo mental: a categorização conceitual, pelo surgimento da consciência assentada no crescimento e amadurecimento do córtex executivo. A criança começa a dar-se conta de que o outro não pensa como ela. Esta consciência gera a conceitualização e a percepção da individualidade.

O senso coerente de consciência, que se desenvolve na experiência interativa com o outro (self-non-self, mundo, circunstância) depende em muito da percepção do bebê de sua interação com o cuidador, forjada nas vivências do seu passado de zero a três. Poderá ser uma percepção de sintonia, ou Mesmo desde antes da concepção, visto com estes novos olhares, o bebê necessita ser desejado porque deve perceber que o que lhe garante a satisfação não é a mera presença da mãe, mas que ela o deseja. E desta forma passará a desejar o desejo da mãe e não a mãe em si. A percepção de afetos positivos está na base da caspacidade de auto-regulação afetiva, e na aquisição das funções executivas responsáveis por iniciar e desenvolver uma atividade com um objetivo final determinado. O bebê de zero a três, necessita que seu cuidador (mãe) use seu córtex executivo (já que até o final deste período o seu ainda não se desenvolveu para esta função) a fim de ajuda-lo a nomear o mundo e se tornar autônomo o que começa a ocorrer aos três anos.

Estes conhecimentos geram a responsabilidade de modificar os cuidados do início da vida. São uma nova ferramenta capaz de mobilizar o bebê interno do cuidador enquanto ensina uma nova linguagem, não a da palavra articulada, mas a pré-verbal, somatizada no corpo do bebê, imaturo para saber porque os outros não pensam como ele, mas ainda incapaz de comunicar seu desamparo pela semântica e a gramática. Admite-se que os distúrbios do desenvolvimento e a violência social nascem da percepção de abandono e negligência neste período inicial e, para preveni-los, é necessário cuidar bem desde o ventre.”

Imagens Interiores

09/03/2010

O livro O Caminho para a Vida, do médico e psicoterapeuta alemão Rudiger Dahlke, escrito em co-autoria com sua esposa, a médica homeopata Magrit Dahlke, e o médico Volker Zahn, diretor de maternidade, se propõe a abordar a gravidez e o parto de um ponto de vista integral – das quesões práticas e materiais até o aspecto espiritual.
Os autores, no capítulo em que tratam da gestação, sugerem que nosso mundo interior – e o do bebê – seja nutrido de beleza.
“No reino das imagens interiores também está a chave para a maravilhosa experiência de a mãe saudar o filho mostrando-lhe o mundo, mesmo enquanto ele ainda não está totalmente no mundo. O importante sentimento de pertencerem um ao outro, o vínculo que se criará entre mãe e filho começa a crescer idealmente agora, quando gozam juntos a natureza ou a arte – belas imagens,música, filmes. A maioria das mães sente o desejo espontâneo de mostrar ao filho o que o espera, antes mesmo de ele nascer. Externamente, isso fica visível nos braços que envolvem amorosamente a barriga, que não só protegem o bebê mas também o incluem, com esse gesto, em tudo que está visível.
A mulher grávida que ouve sua voz interior recebe espontaneamente o que interioriza do mundo exterior e compartilha expriências e impressões com o filho. Quando se deixa orientar pela voz interior, por exemplo, dando preferência a Mozart do que à música heavy metal, ela influencia as impressões especiais do filho.”

(trecho de O Caminho para a Vida, de Rudiger Dahlke, Margit Dahlke e Volker Zahn, de 1999)