Archive for the ‘feminino’ Category

Gestar com Arte – Pintando e Bordando a Vida Nova no Rio de Janeiro

30/05/2014

Atividades artísticas para gestantes e tentantes, no Rio de Janeiro! Começaremos em junho com bordado, com a Dolores Schroeder.

Às quartas-feiras, quinzenalmente, de 9 às 12h. Mais detalhes no flyer anexo.

Informações e Inscrições: contato@anepbrasil.org.br

GESTAR_COM_ARTE

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12o módulo da formação em Educação Prenatal

10/09/2013

flyer_anep12

Dias 11, 12 e 13 de Outubro realizaremos o 12o módulo da formação em Educação Prenatal pela ANEP Brasil. É a conclusão de um trabalho de 3 anos, já com frutos surgindo que irão nutrir outras mentes e almas e semear sementes de futuro. Mesmo sendo o final de uma formação, a participação de todos é bem vinda, pois os temas são relevantes a todos da sociedade.
Teremos as apresentações de Trabalhos de Conclusão de Curso, que são maravilhosas de compartilhar e também teremos muito conteúdo, como podem ver pelo chamado, sobre os vários papéis da mulher no bem receber a vida. Com Bia Fioretti, Laura Uplinger e Carla Machado, haverá apresentação com debate do SER MULHER, onde falaremos dos ciclos sagrados do feminino, do SER GESTANTE, e em como a mulher pode exercer este poder que lhe foi outorgado pela natureza de gestar uma nova vida, e o SER PARTEIRA, onde Bia Fioretti apresentará um pouco da sua vasta vivência com parteiras do mundo todo, em seu maravilhoso trabalho de resgate do feminino pelas parteiras tradicionais, intitulado MÃES da PÁTRIA.
Será na Casa Angela, casa de parto da Associação Comunitária Monte Azul, no Jardim Mirante em São Paulo.
Nossa agenda:
6a feira: das 14h às 20h
14h às 16h – SER MULHER – Carla Machado
16h às 16:30h – lanche
16:30h às 19:30h – SER PARTEIRA – Bia Fioretti
19:30h – Sopa
Sábado: das 9h às 18h
9h às 11h – SER GESTANTE – Laura Uplinger
11h às 11:30h – lanche
11:30h às 13h – Como os três papeis se encontram e interagem – debate
13h às 14h – almoço
14h às 16h – Apresentação dos TCCs (aberto ao público)
16h às 16:30h – lanche
16:30h às 18h – Apresentação dos TCCs
Domingo: das 9h às 17h
9h às 11h – Apresentação dos TCCs
11h – lanche
11:30h às 13:00 – Apresentação dos TCCs
13h às 14h – Almoço
14h às 16:30h – Apresentação dos TCCs
16:30h – Encerramento e entrega dos Certificados de conclusão da Formação.
Inscrições com desconto até 30 de Setembro, pelo site www.anepbrasil.org.br
Abraços fraternos,
Equipe ANEP Brasil.

6000 mulheres na ONU

06/03/2013

csw57

Por Carla Machado

6.000 mulheres do mundo todo. Se uma mulher sozinha já pode causar um grande estardalhaço, imaginem 6000 mulheres do mundo todo reunidas num só lugar para tratar suas questões? No mínimo curioso ou divertido. Mas no meu entender, emocionante. No dia 2 de marco, saí com minha filha de 14 anos da Grand Central Station em NY e caminhamos em direção à sede da ONU. Já naquele momento pude sentir no ar que algo diferente e mágico estava para acontecer, pois a medida em que desciamos a Rua 44 fomos nos juntando a um grupo de senhoras indianas que seguia com muita convicção à nossa frente. Depois chegaram algumas chinesas. Mais à frente lindas africanas com seus turbantes. E quando estávamos em frente à porta, vejo um carro parado e percebo uma mulher se despedindo do marido, com um rosto familiar. Era a Barbara Pellegrini, uma das integrantes do grupo da OMAEP (Organizacao Mundial das ANEP’s), a quem eu so conhecia por facebook. Qual é a chance de entre 6000 mulheres você chegar junto com uma das 6 outras pessoas que você conhece no mesmo evento? Acertou, 1 em 1000. A partir dali não tive duvidas que seriam dias muito importantes.

Os temas sao fortes, só de ler os títulos deste CSW57, cujo tema é violência contra mulheres e meninas, pude sentir a DOR. Títulos como: como deter a violencia doméstica, exploração sexual, mutilação genital, tráfico de meninas, casamento na infância, meu Deus, aonde chegamos como humanidade??? Muita gente trazendo dados, estatísticas, exibindo o tamanho e a profundidade da ferida, mas as soluções ficam reduzidas a tratados – que países assinaram o tratado de Beijing? (tratado criado na 4a CSW mundial em 1995, Beijing, que identificou a violência contra as mulheres como uma das 12 esferas de especial preocupação que exigem a atenção especial e a adoção de medidas por parte dos governos, da comunidade internacional e da sociedade civil). Isso será suficiente??

A boa notícia é que a OMAEP e a FEFAF se juntaram e organizaram um evento sobre a importância da prevenção da violência, e como isso se dá no início da vida, desde o ventre materno! Criando um ambiente de amor, harmonia e tranquilidade para as gestantes e futuros pais, estamos reduzindo a violência e toda a energia e dinheiro gastos para combatê-la e remediá-la. Ou seja, atuar na causa, de dentro pra fora. Quando uma árvore começa a brotar e não tem espaço para crescer ela vai se entortar para achar seu lugar ao sol custe o que custar, pois a sobrevivência é o mais importante. Quando esta arvore está adulta, é muito difícil depois acertá-la e corre-se o risco até de quebrá-la ao tentarmos fazer isso. Mas se quando o brotinho esta tenro, saindo da terra, abrimos um espaco para ele em nosso terreno, em nossa vida pessoal, e em nossa sociedade, ele cresce ereto e confiante para ocupar seu lugar no mundo e dar seus frutos!

omaep_csw57

Este evento será na 6a feira próxima, coincidentemente, do dia 8 de Marco, dia internacional da Mulher. Que presente poder comemorar este dia desta forma!

Birth in 4012

05/11/2012

Por Laura Uplinger

˜A text about “Birth in 4012” for the closing plenary session of The Mid-Pacific Conference on Birth and Primal Health Research˜

The times we enjoy today in 4012 were only a utopia in previous civilizations. For millennia, love had been diseased – love for self as well as love for others. That essential kernel of self-esteem had never been collectively addressed and nurtured; it had never truly blossomed in any nation. Yes, throughout the ages there had been individuals whose hearts and minds had flourished without ever betraying life, who were prone to kinship with all. But they were not many. 

Prisons were full; abuse, betrayal, greed, war, crime and indifference were common plagues among governing elites. Always a foul thirst to diminish and control others in order to feel better.

However, towards the end of the 20th century and into the first decades of the 21st, diverse branches of science shed galaxies of light on the genesis of a wholly healthy human being, confirming what many sacred wisdom traditions had taught since the dawn of time.

The intricate physiological orchestration of our development in the womb was finally understood, appreciated and respected! Babies were given better and better conditions to grow robust and resilient organs – especially the brain – thanks to the optimal biochemistry and nutrients flowing in their mother’s blood.

In schools and universities, students of all ages learned about nature’s plan for a fulfilling primal period. All over the world, governments started waking up to the simple yet grand reality that every pregnant woman needs above all to eat well, feel joy and be inspired by beauty.

For the first time in over 12,000 years, societies began dedicating important financial and cultural resources to the wellbeing of pregnant women, in order to protect this decisive stage of parenting. For the first time in all those millennia the powers that be got it: Mothers birth civilizations.

The 21st century saw the start of the centers we enjoy today in cities, suburbs, and remote villages. Gathering places built in gorgeous parks where expectant mothers walk in nature, sing together, rest, weave, paint, read, dance, swim… enjoying an exquisite and joyful synergy among the wee inhabitants of their pregnant bellies.

As humanity learned how receptive we are to the inner world of our parents, that the integrity our adult body and its trillions of cells begins in the loving nature of their sexual embrace, unplanned pregnancies became increasingly rare. Even the months leading up to the conception started to be consciously lived.

Oh, and I have to tell you about birth! The ignorance that had marred most of birth practices slowly receded and died. The unbridled use of technological intervention – finally recognized as counterproductive at best and abusive at worst – peaked in the early 21st century. Once and for all, “experts” left laboring mothers undisturbed, trusting their bodies’ wisdom. Quiet and privacy were embraced as the primary facilitators of easy childbirth.

The decade of the 2050s marked a turning point when the first generation of the wellborn ones attained maturity. They grew up to be teachers, artists, merchants and policy makers of a different breed. Their presence on earth instilled more creativity, empathy, flexibility, social intelligence and resilience into the marrow of the human family.

They began to have their own children, and the benefits of investing in primal health were revealed to be exponential improvements across generations. People lived longer and enjoyed greater wellbeing. Breastfeeding became an uncontested and universal practice as wet nurses and formula faded into oblivion. Prisons, psychiatric hospitals and NICUs, began closing their doors. Artificial borders between nations were declared obsolete.

Well, this is how we reached the Golden Age that our ancestors so deeply longed for, and so tirelessly worked to realize. 

Agenda – Rio de Janeiro

12/09/2012

Formação em Pedagogia Waldorf e Medicina Antroposófica

Curso de fundamentação em antroposofia, básico para pedagogia waldorf e medicina antroposófica, para profissionais das áreas de saúde e educação, porém aberto a demais interessados. Início em 19 de outubro, inscrições abertas. Número limitados de vagas.

Informações: http://seminariowaldorfrio.jimdo.com/; inscrições: seminarioriodejaneiro@gmail.com.

Parceiros: Instituto Eco Social: Associação Thalamus e APAM (Associação Pedagógica Michaelis).

Workshop com Claudia Rodrigues 

Cláudia Rodrigues, terapeuta reichiana, no Rio de Janeiro. Todas as informações no flyer. Para informações sobre preços e modalidades de pagamento, fazer contato pelos telefones 22390304 ou 81164141, com Francesca Felici.

Bordado Mágico – bordando a vida enquanto a vida me borda

“Encontros mensais em que o bordado nos reúne para dar corpo, significado e cor às emoções e aos sonhos que entrelaçam, revelam e bordam o viver.”

Grupo já iniciado, contatos para informações e inscrições no folder.

Marcha pela Humanização do Parto

01/08/2012

Mulheres realizam Marcha pela Humanizaçao do Parto

Movimento quer chamar atenção da sociedade para a importância da humanização da assistência obstétrica no Brasil.

Mulheres a favor da humanização do parto realizarão um protesto no próximo domingo (5/8), na altura do Posto 9 da praia de Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro. A marcha vai receber caravanas de mulheres do todo o Brasil e também vai ser realizada em outras cidades brasileiras, como Recife, Fortaleza, João Pessoa, Salvador, São Paulo, Ribeirão Preto, Araraquara, Florianópolis e Londrina. A expectativa é reunir pelo menos mil mulheres em prol da causa.

A ideia da manifestação surgiu após a publicação de duas resoluções do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremej) que proibiam que gestantes contassem com a assistência das chamadas acompanhantes profissionais (obstetrizes, doulas e parteiras) em hospitais e maternidades, e ameaçavam de punição médicos-obstetras que acompanhassem partos domiciliares ou dessem retaguarda a parturientes com necessidade de remoção de parto em casa para o hospital.

A exemplo da Marcha do Parto em Casa, ocorrida no mês de junho, esse protesto foi idealizado a partir da indignação de mulheres nas redes sociais em todo o Brasil, que acreditam que os direitos sexuais e reprodutivos da mulher devem ser respeitados. O objetivo principal desse movimento é chamar atenção da sociedade civil para uma questão mais abrangente, que afeta toda e qualquer mulher que foi ou pretende ser mãe através do sistema de saúde brasileiro, seja público ou privado.

As manifestantes classificam a decisão do Cremerj como arbitrária. O argumento é que as resoluções contrariam a Política Nacional de Humanização da Saúde, diretriz do Ministério da Saúde, além de evidências científicas que comprovam a melhoria da qualidade da experiência do parto e a redução de intervenções médicas desnecessárias quando um parto é assistido por doulas e obstetrizes. As resoluções também seriam contrárias ao próprio Código de Ética Médica, que fala do respeito à autonomia. “Capítulo I, inciso XXI – No processo de tomada de decisões profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas”.

O Brasil ocupa a primeira colocação mundial em realização de cesarianas. As taxas desse tipo de cirurgia chegam a 52%, superando os 80% em hospitais privados e em alguns chegando a ultrapassar os 90%, em grande parte, sem uma real e justificável indicação clínica, quando o máximo recomendado pela OMS é de 15%. As manifestantes acusam o Cremerj de promover a perpetuação de um modelo violento, que tira o poder e o direito de escolha da mulher, violando assim, seus direitos reprodutivos. Diversos estudos demonstram que as altíssimas taxas de cesáreas em hospitais brasileiros não ocorrem a pedido das mulheres, uma vez que a maior parte delas demonstra preferência por parto normal, sendo conduzidas no decorrer da gestação a mudarem de opinião pelos próprios obstetras.

Decisão da Justiça

O Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro entrou com uma ação civil pública para anular a decisão do Cremerj e ela foi aceita pelo juiz nesta segunda-feira (30/07). O juiz Gustavo Arruda Macedo, da 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro, deferiu a ação, o que, em outras palavras, significa que as resoluções estão anuladas. A gestante que quiser garantir o direito ao acompanhamento de doula, parteira ou obstetriz em hospital ou médicos em partos domiciliares deve saber que não está mais impedida.

Posicionamento de outras entidades

O Conselho Federal de Medicina também se posicionou alegando que vai investigar o caso. O órgão se reúne na segunda semana de agosto e pode até vetar as determinações do colegiado fluminense. Já o Ministério da Saúde, instância maior em Saúde Pública no país, reconhece o trabalho das parteiras e das doulas, garantindo, inclusive, dentro das ações desenvolvidas pelo programa Rede Cegonha, a capacitação e qualificação dessas profissionais para atendimento de parto humanizado pelo Sistema Único de Saúde.

Acompanhantes profissionais e evidências científicas

A participação de obstetrizes (profissionais formadas em curso superior de Obstetrícia) e doulas (acompanhantes profissionais de parto, responsáveis pelo conforto físico e emocional da parturiente durante o pré-parto, nascimento e pós-parto) integra o modelo de assistência obstétrica humanizado e centrado na mulher e tem demonstrado resultados até superiores ao esperado. De acordo com a base de dados em saúde Biblioteca Cochrane, em uma assistência promovida por obstetrizes há maiores chances de partos normais espontâneos e sem anestesia, além de maior sensação de controle durante o nascimento do bebê e mais facilidade para dar início ao aleitamento materno.

Em relação às doulas, 21 ensaios clínicos com mais de 15 mil mulheres mostraram que aquelas que receberam esse tipo de suporte relataram maior satisfação com a experiência do parto, tiveram menor duração do trabalho de parto e menor risco de cesariana, entre outras vantagens.

Reivindicações da Marcha

§ Que a mulher tenha o direito de escolher como, com quem e onde deve parir;

§ O cumprimento da Lei 11.108, de abril de 2005, que garante que a mulher tenha preservado o direito ao acompanhante que ela desejar na sala de parto;

§ Que a mulher possa ter o direito de acompanhamento de uma doula em seu trabalho de parto e parto;

§ Que a mulher, sendo gestante de baixo risco, tenha o direito de optar por um parto domiciliar planejado e seguro, com equipe médica em retaguarda caso necessite ou deseje assistência hospitalar durante o trabalho de parto;

§ Que a mulher tenha o direito de se movimentar livremente para encontrar as posições mais apropriadas e confortáveis durante seu trabalho de parto e parto;

§ Que a mulher possa ter acesso a métodos naturais de alívio de dor durante o trabalho de parto, que consistem em: massagens, banho quente, compressa, etc;

§ Um basta em relação à violência obstétrica e intervenções desnecessárias que consistem em: comentários agressivos, direcionamento de puxos, exames de toque em demasia, episiotomia (corte na vagina), etc;

§ Que haja fiscalização das altas taxas de cesáreas nas maternidades brasileiras e que as ações cabíveis sejam tomadas no sentido de reduzir essas taxas;

§ Que haja humanização também na assistência aos recém-nascidos, contra as intervenções de rotina;

§ Que a mulher que optar pelo parto domiciliar tenha direito ao acompanhamento pediátrico caso deseje ou seja necessário.

Sobre a escolha pelo parto domiciliar

A escolha pelo parto domiciliar nada mais é do que uma consequência natural de um sistema de saúde que não tem agradado. O crescimento e a curiosidade em torno dessa escolha têm evidenciado a insatisfação das mulheres em relação à assistência obstétrica atual brasileira, que não respeita a autonomia de mãe e bebê em um momento tão importante quanto o nascimento.

Há vários estudos comprovando a segurança do parto domiciliar. Um deles, realizado na Holanda, analisou quase 680 mil mulheres com gravidezes de baixo risco cujos partos foram atendidos entre 2000 e 2007 e que tiveram chance de escolher entre parto domiciliar ou hospitalar. Os resultados demonstraram que houve 0,15% de morte perinatal para o parto em casa e 0,18% para o parto hospitalar.

A pesquisa concluiu que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo risco, desde que o sistema de saúde facilite esta opção através da disponibilidade de parteiras treinadas e um bom sistema de referência e transporte.

Outro estudo, realizado entre 2008 e 2010 pela Birthplace in England Collaborative Group, da Inglaterra, analisou cerca de 65 mil mulheres com gestações de baixo risco e os resultados indicaram que não há diferenças significativas de mortalidade e morbidade perinatal em ambientes fora ou dentro de hospitais.

Links para referência:
*http://www.bmj.com/content/343/bmj.d7400
*http://journals.lww.com/greenjournal/Abstract/2011/11000/Planned_Home_Compared_With_Planned_Hospital_Births.11.aspx

Laura Uplinger fala sobre a importância do período pré e perinatal para a humanidade

08/07/2012

(Teaser) Laura Uplinger . Educadora from OBRA Videos on Vimeo.

Parto Humanizado no programa Sem Censura

03/07/2012

No programa Sem Censura o tema Parto humanizado foi abordado com a presença querida e informações preciosas da parteira Heloisa Lessa. E a roteirista Renata Dias Gomes compartilhou sua experiência: um parto humanizado hospitalar e um domiciliar.

A quem está em busca de informação, recomendamos fortemente. O tema é debatido durante a primeira metade do programa.

Nove meses para salvar o mundo

26/06/2012

Por  Carla Machado

O principal tema de toda a conferência Rio+20 é como deter a poluição e criar um ambiente saudável para todos e para a Terra. A resposta para essa pergunta é simples: parar de gerar os poluidores. O útero é a primeira casa que os seres humanos habitam. Sabe-se que todo início, não só tem força, como é determinante. O “imprint” poderoso do início da vida é um fractal da trajetória da existência de um indivíduo. O que é vivido desde os primeiros instantes da vida física no planeta, e isto inclui a concepção, é como um rastro de pegadas no cimento fresco, difícil de apagar.

Na 6ª feira, dia 15/6, de manhã, na sala T4 do RioCentro, foi realizado um painel com presenças notáveis na mesa e na audiência, que debateram e demonstraram quão importante é este tema para o futuro.

O Dr. Michel Odent, médico francês, fundador do 1º centro de pesquisa em saúde primal, autor de 12 livros, foi um dos palestrantes para explicar como a forma invasiva e desrespeitosa de lidar com a saúde da gestante e, portanto, do bebê que ali iniciou sua vida na Terra, se instalou na sociedade disfarçada de cuidado e atenção.

A representante da OMAEP (Organização Mundial das Associações Nacionais de Educação Pré-Natal), Julie Gerland, falou do poder que a natureza outorgou à mulher gestante de formar o futuro habitante do planeta e que todo investimento feito em prol do bem estar e da alegria dela se traduz numa enorme economia para as nações.
As crianças assim gestadas, com sua neurofisiologia respeitada, tem um cérebro hígido (saudável, robusto) e são predispostas à empatia, criatividade, compaixão e respeito pela vida (Kinship with all life) em todas as suas formas.

A presidente da FEFAF (Fédération Européenne des Femmes Actives en famille), ONG Internacional co-sponsor do painel, a sueca Madeleine Wallin, mãe de cinco filhos, falou da importância da presença da mãe no lar durante a primeira infância de seus filhos, garantindo uma base harmoniosa para o desenvolvimento deles. Isso só é possível em larga escala mediante uma sociedade que saiba valorizar a função materna, que no passado foi vivida como obrigação e único caminho para as mulheres e hoje já é uma opção de caminho consciente adotada por várias famílias na Europa e no mundo.

O embaixador Carlos Moreira Garcia, presidente da ECO92, esteve presente na exposição e endereçou à Madeleine uma pergunta sobre como a economia sueca resolveu esta questão da mulher mais presente no seu papel de mãe e, portanto, menos disponível para o (mercado de) trabalho externo. A presidente da FEFAF, Madeleine, respondeu exemplificando uma das possíveis soluções que é a adoção de uma jornada de trabalho de meio período durante estes primeiros anos de vida dos filhos, que pode ser compensada por um acréscimo proporcional de tempo de serviço antes da aposentadoria, que ocorreria num período em que a presença da mulher não é mais tão vital na criação dos filhos.

Outra colocação feita pelo embaixador sobre a quantidade de elementos tóxicos presentes no útero que o bebê vai habitar, oriundos da poluição e da alimentação com presença de defensivos agrícolas e hormônios, é bem respondida pelo conteúdo do livro de Michel Odent “Birth at the age of plastics”. Lá ele fala sobre a quantidade excessiva de, por exemplo, estrogênio, oriunda de hormônios artificiais injetados nos alimentos, que pode prejudicar, sobretudo, os indivíduos do sexo masculino em sua futura sexualidade, já que o estrogênio é um hormônio predominantemente feminino. Também expõe sobre a quantidade de resíduos plásticos encontradas no cordão umbilical, devido também as soluções intravenosas embaladas em plástico, que são gotejadas por longos períodos (até 36 horas) durante o trabalho de parto.

A célebre frase de Michel Odent bem resume a mensagem dada neste painel “para mudar o mundo é preciso primeiro mudar a forma de nascer”.

Espera-se que a sociedade desperte para a importância de preservar o primeiro ambiente do ser humano, o útero, para que ele então possa seguir o exemplo e respeite naturalmente a nossa casa em comum: o planeta Terra.

Carta Aberta à Sociedade

13/06/2012

CARTA ABERTA À SOCIEDADE

Nós, médicos humanistas, enfermeiras-obstetras e obstetrizes, todos os profissionais, entidades civis, movimentos sociais e usuárias envolvidos com a Humanização da Assistência ao Parto e Nascimento no Brasil, vimos através desta presen te Carta manifestar o nosso repúdio à arbitrária decisão do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) de encaminhar denúncia contra o médico e professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Jorge Kuhn, por ter se pronunciado favoravelmente em relação ao parto domiciliar em recente reportagem divulgada pelo Programa Fantástico, da TV Globo.

Acreditamos estar vivenciando um momento em que nós todos, que atendemos partos dentro de um paradigma centrado na pessoa e com embasamento científico, estamos provocando a reação violenta dos setores mais conservadores da Medicina. Pior: uma parcela da corporação médica está mostrando sua face mais autoritária e violenta, ao atacar um dos direitos mais fundamentais do cidadão: o direito de livre expressão. Nem nos momentos mais sombrios da ditadura militar tivemos exemplos tão claros do cerceamento à liberdade como nesse episódio. Médicos (como no recente caso no Espírito Sant o) podem ir aos jornais bradar abertamente sua escolha pela cesariana, cirurgia da qual nos envergonhamos de ser os campeões mundiais e que comprovadamente produz malefícios para o binômio mãebebê em curto, médio e longo prazo. No entanto, não há nenhuma palavra de censura contra médicos que ESCOLHEM colocar suas pacientes em risco deliberado através de uma grande cirurgia desprovida de justificativas clínicas. Bastou, porém, que um médico de reconhecida qualidade profissional se manifestasse sobre um procedimento que a Medicina Baseada em Evidências COMPROVA ser seguro para que o lado mais sombrio da corporação médica se evidenciasse.

Não é possível admitir o arbítrio e calar-se diante de tamanha ofensa ao direito individual. Não é admissível que uma corporação persiga profissionais por se manifestarem abertamente sobre um procedimento que é realizado no mundo inteiro e com resultados excelentes. A sociedade civil precisa reagir contra os interesses obscuros que motivam tais iniciativas. Calar a boca das mulheres, impedindo que elas escolham o lugar onde terão seus filhos é uma atitude inaceitável e fere os princípios básicos de autonomia.

Neste momento em que o Brasil ultrapassa inaceitáveis 50% de cesarianas, sendo mais de 80% no setor privado, em que a violência institucional leva à agressão de mais de 25% das mulheres durante o parto, em vez de se posicionar veementemente contrários a essas taxas absurdas, conselhos e sociedades continuam fingindo que as ignoram, ou pior, as acobertam e defendem esse modelo violento e autoritário que resulta no chamado “Paradoxo Perinatal Brasileiro”. O uso abusivo da tecnologia contrasta com taxas gritantemente elevadas de mortalidade materna e perinatal, isso em um País onde 98% dos partos são hospitalares!

Escolher o local de parto é um DIREITO humano reprodutivo e sexual, defendido pelas grandes democracias do planeta. Agredir os médicos que se posicionam a favor da liberdade de escolha é violar os mais sagrados preceitos do estado de direito e da democracia. Ao invés de atacar e agredir, os conselhos de medicina deveriam estar ao lado dos profissionais que defendem essa liberdade, vez que é função da boa Medicina o estímulo a uma “saúde social”, onde a democracia e a liberdade sejam os únicos padrões aceitáveis de bem estar.

Não podemos nos omitir e nos tornar cúmplices dessa situação. É hora de rever conceitos, de reagir contra o cerceamento e a perseguição que vêm sofrendo os profissionais humanistas. Se o CREMERJ insiste em manter essa postura autoritária e persecutória, esperamos que pelo menos o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) possa responder com dignidade, resgatando sua função maior, que é o compromisso com a saúde da população.

Não admitimos, não permitiremos que o nosso colega Jorge Kuhn seja constrangido, ameaçado o u punido. Ao mesmo tempo em que redigimos esta Carta aberta, aproveitamos para encaminhar ao CREMERJ, ao CREMESP e ao Conselho Federal de Medicina (CFM) nossa Petição Pública em prol de um debate cientificamente fundamentado sobre o local do parto. Esse manifesto, assinado por milhares de pessoas, dentre os quais médicos e professores de renome nacional e internacional, deve ser levado ao conhecimento dos senhores Conselheiros e da sociedade. Todos têm o direito de conhecer quais evidências apoiariam as escolhas do parto domiciliar ou as afirmações de que esse é arriscado – se é que as há.

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=petparto