Ato médico: uma escolha do medo ou do amor?

por Carla Machado

Em nossas vidas muitas vezes nos deparamos com escolhas, algumas são verdadeiras encruzilhadas e podem mudar nosso destino para sempre. Diante de tais momentos, o que pode ajudar nossa decisão é nos perguntarmos: esta escolha está sendo motivada pelo medo de que algo possa dar errado ou está sendo motivada pelo amor? Ou ainda: essa escolha é pra me proteger de alguma ameaça ou me coloca mais próximo da entrega e da abertura a novas possibilidades,aumentando a minha fé no futuro? Estamos acostumados a associar o ódio como sendo o oposto do amor, mas o seu oposto é de fato o medo. Pois é o medo que separa, que cria divisões e facções, que nos torna agressivos (quantas vezes atacamos por medo de sermos agredidos?) e nos impede a fraternidade. Quanto mais escolhemos pelo medo, mais temos que tomar outras medidas que nos protejam; isto leva a um cerco cada vez mais fechado e acabamos enclausurados dentro dos próprios muros que nos deveriam proteger. Ao passo que, se escolhermos o amor, ficamos cada vez mais livres e mais abertos a dar e receber amor!

Estamos vendo agora uma encruzilhada em nossa sociedade, com a questão do ato médico, e temos que tomar uma decisão. Para quem ainda não se inteirou bem do assunto, o ato médico pressupõe que apenas os médicos podem prescrever cuidados sobre a saúde das pessoas, cabendo a eles indicar qualquer tipo de tratamento coadjuvante (fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, nutrição, etc). Essa medida visaria proteger a população de cuidados médicos inadequados, exercidos desnecessariamente ou por pessoas pouco capacitadas. Nessa encruzilhada temos de um lado, um rol enorme de profissionais como psicólogos, acupunturistas, terapeutas florais, nutrólogos, etc.  que tratam pacientes que os escolheram livremente, com resultados indiscutíveis e melhoria da saúde da população em geral, e cujo número crescente veio preencher uma demanda da própria população que ansiava por uma assistência mais ampla do que a bio-medicina tem conseguido exercer. De outro,temos os médicos que alegam, com o ato médico, o desejo de proteger a população, por medo de que estes sejam mal assistidos. Tentam  impedir por lei a livre prática de tratamentos complementares, a não ser que eles próprios os recomendem, porém como recomendar práticas e intervenções para as quais não se tem treinamento e nem conhecimento profundo? Mesmo que fosse este o intuito das universidades de medicina, seria impossível congregar tantos conhecimentos numa única classe profissional. Desta forma corremos o risco de estar protegendo as pessoas justamente da assistência que lhes seria salutar. Diante desta encruzilhada podemos pensar: qual seria o caminho do amor e qual seria o do medo?

Certa ocasião, Madre Teresa de Calcutá foi convidada para uma passeata contra a violência, a cujo chamado ela respondeu negativamente. Sua alegação era a de que não desejava se colocar contranada, mas sim a favor de algo, e sugeriu que ao invés de ser uma passeata contra a violência, fosse a favor da PAZ. Dentro deste mesmo espírito, nós, da ANEP, não acreditamos em nos colocar contra os médicos, pois isso criaria ainda mais cisão. Somos sim a favor de que todos os profissionais cuidadores possam atuar juntos no apoio e na manutenção da saúde dos brasileiros, cada um dentro de sua área de conhecimento, trazendo um olhar integral e não fragmentado, sobre o ser cuidado, lembrando sempre que este ser se compõe de corpo, mente e espírito.

Que nós, como sociedade, possamos agregar e unir, ao invés de separar e de ir contra algo, ampliando assim a possibilidade de fraternidade no planeta.

“O medo de um futuro que tememos
só pode ser superado com imagens
de um futuro que queremos”
(Wilhelm Ernst Barkhoff)

Informações sobre o projeto de lei e sobre como se manifestar podem ser encontradas aqui.

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2 Respostas to “Ato médico: uma escolha do medo ou do amor?”

  1. ana cláudia bessa Says:

    Carla, isso já está acontecendo. Para solicitar a cobertura de um tratamento fonoaudiológico, não bastou o laudo da fonoaudióloga, fizeram questão de um CRM. Só aceitaram com a solicitação da pneumologista.

    • rematteoni Says:

      Isso aí, Ana, acho que já entra na questão da arbitrariedade dos planos de saúde. E tenho a sensação que juridicamente é um universo muito complexo…talvez até propositalmente, afinal nada mais conveniente do que a falta de clareza, não?
      beijo
      Re

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