O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 6)

(tradução livre de texto de  Marie-Andrée Bertin, fundadora da OMAEP)

Deduções dos médicos

A que conclusões a medicina pode chegar a partir desses fatos, e o que fazer para que possamos nos beneficiar desse conhecimento?

Na tese mencionada acima, Dr. RICHARD sugeriu que obstetras e parteiras vão além do monitoramento do desenvolvimento somático da gestação, levando em conta também o estado emocional da gestante. Ela sugere que pediatras avaliem a existência de questões pré-natais afetando bebês e crianças sob seus cuidados. Tomar conhecimento desses fatores, permitir que a mãe se expresse e a acolher são ações que contribuem para lidar com sintomas apresentados pelas crianças.

O que sugerir a futuros pais?

Futuros pais devem expressar seu amor e liberar sua criatividade, assim eles poderão estabelecer seu vinculo com o bebê, respeitando sua individualidade, e de acordo com sua cultura. Em liberdade e com espontaneidade.

Informar os mais jovens

Manter a espontaneidade requer que esse conhecimento seja integrado à consciência da humanidade com absoluta naturalidade. Isso significa que o ideal é que esses conhecimentos sejam transmitidos aos jovens muito antes que comecem a pensar em ter filhos, preferencialmente junto com as informações sobre anatomia, psicologia e métodos contraceptivos, que constituem a disciplina que conhecemos como “educação sexual”, presente em muitas escolas hoje. Dessa forma esse conhecimento teórico se integraria com os instintos mais profundos dos jovens, e reforçaria sua auto-estima quando confrontados com a vida. Nutriria sua confiança no futuro, e na ação conjunta, consciente e responsável, para criação de uma nova vida.

Percebo claramente os resultados desse trabalho quando converso com jovens. Já ouvi uma jovem, encantada, exclamar: “o principal “dever” de uma gestante é ser feliz!”. Ela está certa!

Mas nem sempre é tão simples como pode parecer. Uma futura mãe, dependendo de suas condições de vida, de sua história – sua própria gestação, nascimento, infância e mesmo sua adolescência – pode estar impregnada de medos, de sentimentos de dúvida e ambivalência. Ela deve aceitar esses sentimentos com naturalidade, acolhê-los e buscar um estado interior positivo, usando para tanto os recursos necessários ao seu alcance, como por exemplo: manter contato com a natureza, onde a vida pulsa vibrante; apreciar obras de arte que a inspirem. Se engajar em atividades artísticas também pode ser uma ótima alternativa.

O papel do pai

O futuro pai tem papel fundamental nesse processo. Não há ninguém em melhores condições de proporcionar felicidade para seu bebê, assegurando a segurança e a felicidade da futura mãe. Um provérbio chinês diz que “se a mãe carrega o bebê, é tarefa do pai carregar a mãe e o bebê”. Um ditado ocidental sugere ao pai que, ainda que não possa carregar o bebê em seu corpo, o carregue em seu coração e em seus pensamentos. De alguma forma em sua psique em desenvolvimento a criança se sentirá amada, desejada e respeitada, de forma que se entregará para a vida com confiança.

Dificuldades da vida

É natural que pensemos que acontecimentos naturais da vida podem perturbar esse estado ideal, causando estresses violentos (um acidente de carro), problemas sérios de ordem prática (o pai perde o emprego) ou algum luto (a futura mãe pode ter que lidar com a perda de sua mãe, de outro filho, do parceiro). O estresse e sofrimento materno não afetarão o bebê sendo gestado? Sim, isso não pode ser evitado. Françoise DOLTO recomenda que, nesses casos, ela converse com seu bebê. Ela deve confortá-lo e falar , por exemplo: “sim, bebê, hoje estou triste, mas tudo passará. Um dia estaremos felizes, juntos, você verá, a vida pode ser muito boa.”A criança registrará que a vida pode, sim, desferir duros golpes, mas que tudo pode ser superado. O esforço e a coragem de sua mãe vão ajudá-lo a desenvolver um forte caráter.

(a continuar)

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Quer ler desde o início?

Veja aqui:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

 

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2 Respostas to “O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 6)”

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    […] Parte 6 […]

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    […] Parte 6 […]

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