O período anterior ao nascimento influencia mesmo nossas vidas? (parte 4)

(tradução livre de texto de  Marie-Andrée Bertin, fundadora da OMAEP)

Deduções feitas por médicos

As “gestações musicais” surgiram em consequência dos estudos realizados por Marie-Louise AUCHER. Eles foram iniciados em Pithiviers, nos anos 1970, por Michel ODENT e então levados para Paris, Rouen e várias outras cidades. Pais, mães, irmãos e irmãs cantavam em corais, junto com médicos, parteiras e enfermeiras pediátricas, com intuito de criar uma atmosfera amistosa entre a equipe médica e futuros pais, especialmente a futura mãe. Essa atmosfera quase familiar facilitava enormemente o parto.

Cantar em grupo, segundo Marie-Louise AUCHER melhorava o estado geral e emocional das mulheres, que davam à luz a crianças fortes, com o corpo bem proporcionado (parte superior e inferior) – crianças tranquilas e felizes, capazes de lidar com as mais variadas situações com que se deparassem, um sinal de equilíbrio psicológico. E essa é uma qualidade muito importante para encarar o mundo que as aguarda.

À luz desse conhecimento a respeito da audição do bebê no útero e das conseqüências emocionais diretamente relacionadas a esse sentido, obstetras e pediatras mudaram e aprimoraram suas práticas.

Já há algum tempo que Dr. TOMATIS vem ajudando crianças com distúrbios e adultos com problemas, fazendo com que ouçam as vozes de suas mães, filtradas por um meio aquático, de forma similar a que eles as ouviam quando no útero através do liquido amniótico. Essa regressão ao período pré-natal permite que seus pacientes, jovens ou mais velhos, estabeleçam um novo contato com sua energia primordial e comecem a desenvolver-se novamente, de forma adequada.

Mais recentemente, Dr. COURONNE, chefe do departamento de neonatalogia do Metz Hospital, responsável pelo cuidado a bebês prematuros, surgiu com a expressão “som do cordão umbilical”, se referindo ao som que conecta o bebê com seus pais.

O que é um bebê prematuro? É aquele que nasceu antes de atingir total maturidade. Ele está em um ambiente diverso daquele onde deveria ter continuado seu desenvolvimento, mas com a estrutura física prematura. Precisa da presença materna ainda mais do que o bebê nascido a termo. Por isso em situações em que a presença da mãe é insuficiente, ou mesmo impossível, Dr. COURONNE costuma pedir aos pais que gravem uma fita cassete contendo 50% da voz da mãe, 30% da do pai (fala livre, inspiração vinda do coração) e 20% de música suave. Um pequeno gravador é colocado na incubadora e essa gravação é reproduzida por meia hora diariamente, fora do período de tratamento. É possível perceber um leve sorriso no rosto do bebê, seus braços e pernas relaxam e ele dorme tranquilamente. A criança reencontra sua referencia de amor e segurança.

Experimentos iniciais com grupos de controle mostraram que bebês submetidos a essa prática se recuperaram de doenças mais rápido que os bebês que não tiveram contato com o “som do cordão umbilical”.

Ao mesmo tempo, pais que com freqüência se sentiriam culpados por não ter conseguido levar a gestação a termo, conseguem estabelecer laços afetivos com o bebê. Eles também não ficam com a impressão, freqüente nesse tipo de situação, de que a equipe médica está “raptando” seu bebê, que os consideraria como seus “pais”. A relação entre os pais e os bebês se desenvolve bem, já que essa prática facilita o “reencontro” entre os pais e o bebê, e veremos o quanto ela é importante para esse último.

Custo: uma fita cassete. Essa prática vem lentamente sendo adotada por outras clínicas na França e além – já tive a oportunidade de vê-la sendo usada em Oslo.

Dr. KLOPFENSTEIN, ginecologista responsável pela maternidade de Calais, realizou um interessante estudo baseado no método do Dr. TOMATIS, pelo qual se interessou quando teve contato com casos de pacientes a ele submetidos em outros hospitais.

Ele utilizou ”ouvidos eletrônicos” (equipamentos auditivos que realizam um balanceamento de sons) em jovens gestantes por meia hora antes de iniciar suas aulas pré-natais semanais. Estatísticas obtidas depois de quatro anos mostram claramente a redução da ansiedade, a redução da média de horas trabalhadas de quatro para duas horas e 40 minutos, a redução das taxas de cesáreas em 1/3 em relação à média nacional e uma redução significativa na necessidade de intervenções médicas.

Deixando de lado testes e planilhas (já que não há critérios objetivos eficientes para aferir sensações como felicidade e liberdade – o que sem dúvida é uma coisa boa) a equipe médica observou que a relação entre mães e seus bebês era em geral excelente e, acrescenta Dr. KLOPFENSTEIN, “aguardamos com confiança que essas crianças se desenvolvam, sabendo que certas deficiências decorrentes da ansiedade de suas mães se dissiparão. Seu potencial está sob observação, mas é promissor.”

Seria possível equipar todas as gestantes com “ouvidos eletrônicos”, de forma a elevar seus níveis vibracionais e dinamizar seu prazer em viver? Isso seria muito difícil! Mas é possível obter resultados semelhantes com práticas que podem ser incorporadas no dia-a-dia das gestantes, viáveis em qualquer lugar do planeta onde há uma criança pra nascer.

Deduções feitas por futuros pais

“Se a gestante adquire o hábito de cantar, além de falar, ela produz ressonâncias muito mais intensas, com forte impacto físico e neurológico. É muito mais completo e rico para o bebê, e estimulante para a mãe” (Marie-Louise AUCHER). Imaginem, então, se o futuro pai canta junto com ela ou se a família toda usa seus recursos vocais junta?

Se, além disso, a mãe e o bebê escutam músicas suaves, estruturadas e estruturantes, ambos se beneficiarão.

Michele CLEMENTS, médica inglesa, estudou as reações de fetos a diferentes tipos de música. Ela descobriu que BRAHMS e BEETHOVEN agitavam o bebê, enquanto que MOZART e VIVALDI o acalmavam. MOZART é muito apreciado, especialmente as composições de sua juventude. Rock deixa os bebês irritados. Temos conhecimento de casos de futuras mães que precisaram deixar concertos de rock, por conta de chutes e golpes insuportáveis que recebiam do bebê. O trabalho de Marie-Louise AUCHER pode nos ajudar a compreender porque. O som do baixo, que é muito forte nesse gênero musical, vibra no base da coluna da gestante, atingindo o bebê com força e diretamente, causando nele, assim, reações fortes. A conclusão é de que a mãe deve escolher as músicas que ouve de acordo com seu gosto musical, mas atentando para as reações do bebê.

Ouvir músicas repetidamente pode até levar a um aprendizado efetivo. O maestro americano Boris BROT, numa ocasião, sendo entrevistado na TV, foi questionado sobre de onde vinha seu amor pela música. Ele respondeu que vinha de muito antes de seu nascimento. Quando ele estudou alguns trabalhos pela primeira vez, descobriu que sabia de antemão a parte do violoncelo. Ele não compreendeu esse fenômeno até que conversou sobre o assunto com sua mãe, “por acaso” uma violoncelista. Ela puxou pela memória e pesquisou em seus arquivos, e identificou que as peças cujas partes seu filho conhecia sem tê-las estudado eram exatamente aquelas que ela estudou e praticou quando o estava gestando.

Isso comprova a ocorrência de registros precisos e memorização resistente na gestação. RUBINSTEIN, Yehudi MENUHIN e Olivier MESSIAEN contam experiências semelhantes. Se pudéssemos perguntar também a MOZART…

Não é possível garantir às futuras mães que, se ouvirem – ou tocarem – muita musica durante a gestação, darão à luz a compositores, cantores ou virtuoses, mas elas poderão ter certeza de que terão colocado seus filhos em contato com essa arte. Não importa se elas tem ou não talento nesse campo, terão proporcionado a seus bebês o gosto pela música e isso os acompanhará pela vida afora.

Como isso se opera no cérebro?

Um mamífero recém-nascido consegue se colocar de pé rapidamente e, depois de alguns passos hesitantes, consegue até correr e pular. Animais são geneticamente programados para tanto, o que é essencial para a sobrevivência das espécies. Seus sistemas motor e cerebral já estão ativados e preparados para funcionar desde o nascimento.

O destino do ser humano, no entanto, é diferente. O feto humano é equipado com um aparato diferente, composto de sistemas sensoriais desenvolvidos e regiões cerebrais geneticamente não programadas que ocupam ao menos 1/3 do cérebro. Seus neurônios estão recebendo informações enquanto se desenvolvem.

“O que é programado no ser humano é a ausência de programação. Esse “vácuo genético” está possivelmente na origem do potencial humano. Essas áreas (desocupadas) se tornam progressivamente “associativas” na medida em que integram as múltiplas experiências que vão sendo registradas e formam uma rede de conexões na qual as habilidades da criança vão gradualmente sendo desenvolvidas.” (Dr. DELASSUS).

O indivíduo em desenvolvimento, todavia, não armazena apenas aquisições sensoriais, ele também codifica em sua memória celular as impressões emocionais recebidas de sua mãe, principalmente, mas também de seu pai e de outras pessoas que o cercam.

(a continuar)

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Veja aqui:

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