Alexandre Garcia e a “bobagem” do parto humanizado

O jornalista Alexandre Garcia, na rádio CBN, ao criticar a saúde pública no Brasil, surpreendeu muita gente quando sem qualquer cerimônia chamou de “bobagem” o parto humanizado e de “maluquice” a gravidez de mulheres HIV positivas. Obviamente essas colocações preconceituosas e infelizes foram feitas com total desconhecimento do assunto e geraram a imediata mobilização de grupos ativistas.

Em matéria de humanização do parto, avançamos muito no Brasil com a atuação organizada de grupos e profisisonais ativistas, e a atuação do Ministério da Saúde tem sido exemplar. Apesar de ainda causar algumas reações preconceituosas e em alguns aspectos desagradar boa parcela da classe médica, a humanização já conta com uma extensa gama de estudos científicos comprovando os vários benefícios do parto natural, do acompanhante no parto, da amamentação na primeira hora de vida, do alojamento conjunto, entre outras práticas.

Sabe-se, hoje, que a humanização é uma questão de saúde e segurança pública – estudos comprovam que nossos genes sofrem influência do ambiente e que os períodos críticos para tanto são o pré-natal, o nascimento e as primeiras horas de vida. Em outras palavras, a forma como somos gerados e chegamos ao mundo pode ser determinante para nossa saúde física e emocional e para definir tendências comportamentais. Esse é apenas um entre os muitos argumentos cintificamente embasados a favor da humanização, mas já justifica o empenho do Ministério da Saúde em apoiar o parto humanizado: podemos citar como objetivos de médio e curto prazos a redução da mortalidade e morbidade materna e neonatal e o favorecimento da amamentação exclusiva até os seis meses, fatores que por si só já podem representar uma redução significativa no custo do Estado com a saúde; pensando a longo prazo, então, os benefícios são imensuráveis: uma sociedade futura formada por indivíduos mais saudáveis física e emocionalmente, mais empáticos, pacíficos e inteligentes emocional e socialmente.

Por isso, diante da seriedade com que o tema vem sendo tratado não apenas do ponto de vista político, mas também científico, é assustador constatar a total falta de responsabilidade com que um jornalista cuja fala tem grande repercussão, portanto um formador de opinião, trata de um assunto que não domina.

Abaixo alguns links para matérias sobre o assunto, e também sites de grupos ativistas e blogs que se manifestaram e repercutiram as manifestações em repúdio à fala do jornalista Alexandre Garcia:

* carta aberta de repúdio redigida pela Parto do Princípio

* Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais no Ministério da Saúde

* Agência de Notícias da Aids

* carta aberta a Alexandre Garcia por Daphne Rattner (responsável pela área de Saúde da Mulher no Ministério da Saúde), no blog Parto no Brasil

* matéria no site Vi o Mundo e emails de repúdio dos representantes da ABGLT e do Fórum de ONG/AIDS do Estado de São Paulo

* carta aberta a Alexandre Garcia pela Rede Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, no Observatório da Mulher

* Parto com Prazer

* Barriga Boa

* Espaço Ishtar Belém

* Roda Bebedubem

* Nossos Bebês

* Grupo Gemas

* Maternamente

* Gestar.Yogar.Maternar

* Instituto Nomades

* Yoga e Gravidez

* Mamãe Antenada

* Casa do Parto Sapopemba

Agradecemos a Mariana Tezini por ter compilado boa parte dos links acima 😉

Por fim, pra quem está indignado e ainda não se manifestou, aqui está  o link do áudio no site da Rádio CBN, onde podemos – e devemos – deixar comentários.

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