Florais na Maternidade: Parto (parte 3)

Por Carla Machado

“Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer”. Essa frase de Michel Odent nos lembra o quão revolucionário pode ser o ato de conceber, gestar e parir um ser humano e que essa é a revolução de que tanto necessitamos no planeta atualmente. Não existe ato mais político e revolucionário do que trazer ao mundo um ser que já vem banhado de consciência: o ser humano do futuro.

A energia de Marte

Parto, partir, parir, encerrar um ciclo para abrir outro. O planeta Marte, regente do signo de Áries, nos fala disto. Toda passagem necessita da energia de Marte, que é o guerreiro, que vem para romper com um estado anterior (que se continuasse nos conduziria à morte / estagnação) para que outro se inicie. Quanta dificuldade há em se lidar com essa energia. Temos tanto medo dela que a exilamos. Mas porque temer uma energia tão necessária? Claro, que pode ser destrutiva, e é para ser, mas isso não é desculpa pra jogarmos Marte embaixo do tapete, temos que nos reconciliar com ela e aprender a usá-la. Ela está na natureza o tempo todo: um pinto tem que quebrar o ovo com seu bico para poder nascer, uma planta tem que perfurar a terra para receber a luz do sol. Quantas vezes temos dificuldade de fazer isto em nossas vidas?

Um parto é violento sim, tem um jogo brutal de forças, para a mãe, sob a forma de contrações com enorme peso sobre sua bacia e para o bebê que está lutando para entrar na vida de cabeça. Mas não adianta fugir desta energia, pois esta vem de qq maneira. Se nos utilizamos dela, tanto melhor para empoderamento da mãe, que se fortalece como fêmea capaz de cuidar e defender sua cria, e do bebê que pode acreditar mais em si mesmo, precisando menos de ajuda externa. Caso contrário. seremos certamente vítimas dela, sob a forma do bisturi cirúrgico (episiotomias e cesarianas).

Temos realmente um problema, aqui no Brasil. Para se ter uma idéia, a taxa de cesarianas numa sociedade equilibrada seria de 2% (que ocorre em comunidades rurais, como p.ex. “The Farm” nos EUA). No Brasil temos nos hospitais públicos (onde o médico ganha independente do tipo de parto) uma taxa de 30% e nas maternidades privadas a alarmante de 70%!!!! (Rio de Janeiro), sendo que a zona sul do Rio chega a 90% – onde a mulher selvagem está demasiadamente civilizada para dar à luz.

E é uma bola de neve, pq as raízes da violência da nossa sociedade estão no binômio: gravidez sob estresse + parto com excesso de intervenções, que no futuro resulta em aumento de 20% da agressividade nos homens e da auto-destrutividade nas mulheres (e dá-lhe Marte de novo).

Força dos inícios

Parece bobagem se pensarmos na duração desse momento em comparação com o tempo que teremos com a criança daí pra frente. Porém, esse é o momento em que tanto a mãe quanto o bebê estão plenos de hormônio do amor (oxitocina) que favorece a vinculação e desperdiçá-lo é uma perda não só para esta família, mas para toda a sociedade. Somos mamíferos, alguém consegue imaginar separar um bebê leão de sua mãe, neste importante período de namoro? Pois o bebê como De Gasper demonstrou nos anos 80 conhece a voz, o cheiro, os sons do corpo da mãe, ficou pelo menos 6 meses (quando já tem percepção e memória) esperando para ver o rosto, olhar fundo nos olhos, este é um momento mágico. “A primeira impressão é sempre a que fica”.

Curiosamente esta expressão existe em todas as línguas. Pois o vínculo é maior neste momento quando as ondas cerebrais são diferentes, a composição do sangue é diferente, e raramente na vida de novo isto acontece. Dura cerca de 2 horas (o tempo em que rotineiramente coloca-se o bebê na encubadora, “just in case”).

O parto deixa uma impressão tão duradoura, que aparece, mesmo depois de adulto, quando o indivíduo está sob stress. Tudo que acontece ali deixa marcas. Já se sabe que o uso de anestésicos, mesmo no parto normal nos traz um aumento da possibilidade de uso de drogas na vida adulta (o consumo de drogas sintetizadas aumentou consideravelmente na década de 70, quando da primeira geração a nascer com a ajuda de anestésicos – nos anos 50 – chegou à juventude).

  • Entrega: Rock Rose (Bach), Barnacle (Pacífico)
  • Dar conta de todo o processo: Elm (Bach)
  • Cansaço: Olive (Bach)
  • Equipe de parto (borrifar no local): Birthing Harmony (Deserto) e F.Ecológica (Minas)

Dor e êxtase

Ocitocina e Adrenalina são dois hormônios, de certa forma antagônicos. O primeiro é liberado quando estamos sentindo desejo, enamoramento, em momentos de paixão ou de intimidade. É ele que desencadeia o processo de parto. Nos hospitais, usa-se injetar ocitocina quando a mulher não está tendo contrações (o que acaba trazendo a necessidade de anestesia, pois as contrações ocorrem sem espaçamento). O segundo, adrenalina, é o hormônio da resposta rápida, do lutar ou fugir e é liberado em situações de invasão e ameaça externa.

Ou seja, para que um parto ocorra mais rápido e seja mais fácil é necessário criar um ambiente intimista, que favoreça a liberação de ocitocina e endorfinas (que reduzem a dor) e evitar ao máximo as invasões de privacidade, que liberam adrenalina e atrasam todo o processo.

Se a mãe toma anestesia, ela se livra da dor, mas também do êxtase de estar plenamente presente e consciente, com todas as suas células, da maravilha do nascimento.

Portal

Creio que em poucos momentos da vida podemos estar em contato tão pleno com nossa natureza mais pura e selvagem do que no momento do parto. É comum o relato de orgasmo, pois é o ápice, o ponto culminante da relação sexual que ocorreu 9 meses antes. É para ser um momento mágico, divino, uma grande passagem, uma verdadeira pós-graduação do feminino. Ou pode ser frustrante, principalmente se a mulher se deixar roubar esta grande chance que a vida lhe dá de vivenciar tão plenamente o amor.

1os cuidados e vínculo

É muito importante a mãe se informar das rotinas com o recém nascido antes do parto. Nos hospitais, a rotina é aspiração nasal e bucal, com sondas nasogástricas extremamente desconfortáveis para o bebê que está respirando bem. O corte do cordão deve ser feito com calma, apenas após este parar de pulsar, respeitando a possibilidade do bebê ir se acostumando a utilizar o seu pulmãozinho virgem. A injeção de vitamina K é recomendada apenas nos casos de hemorragia e o colírio (nitrato de prata / antibiotico) apenas se a mãe tem doença venérea.

Não precisa haver ansiedade em remover a vernix, que deixa a pele tão macia e cheirasa. O banho pode esperar. O fundamental nesta primeira hora após nascido é o olho no olho, que possibilita o enamoramento que vai durar a vida toda.

A separação nas primeiras horas de nascido (berçários, incubadoras, banhos demorados longe da mãe) deixa um rastro de dificuldades em estabelecer vínculos, isolamento social e também hábitos consumistas, pois o bebê se vincula com objetos e não com pessoas.

Carla Machado é terapeuta reichiana, astróloga e trabalha com florais desde 1996. Em 1998, quando engravidou da primeira filha, que nasceu numa casa de parto, começou a estudar e atuar como voluntária na conscientização do processo de maternidade. De lá para cá participou de vários congressos no Brasil e no exterior ligados ao tema e teve seu 2o filho em casa, com uma parteira, e utilizando essências florais.

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